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Guilherme Fernandes

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Elysium: uma boa tentativa

Visualmente, "Elysium" enche os olhos. Blomkamp consegue construir uma história que, por mais que seja um sci-fi, consegue caminhar por soluções reais. A tecnologia das armas, sistemas e no cotidiano dos personagens não destoa de algo que, possivelmente, dentro de mais algumas décadas, possa realmente ser palpável para os seres humanos.


A expectativa em torno de Elysium era grande.

O novo longa do diretor do ótimo Distrito 9, Neill Blomkamp, em conjunto com o excelente Matt "Eterno Jason Bourne" Damon e os brasileiros Wagner Moura e Alice Braga, poderia render bons frutos. Poderia.

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Antes de falar sobre o filme, vamos ao que todos os brasileiros se questionam: as atuações dos filhos de nossa pátria amada. Braga não decepciona e mantém o nível de suas ultimas participações. É uma atriz carimbada, forte e de uma entrega fora do comum. Sua personagem ficou em segundo plano em Elysium, sendo pouco desenvolvido. Entretanto, em praticamente todas as suas cenas, é notável o seu alto padrão de atuação.

Wagner Moura, em sua estreia hollywoodiana, não faz feio. A despeito de seu personagem ser manco – completamente dispensável para a trama – Moura mostra que pode se firmar de forma rápida e eficiente no mercado internacional. Seu tipo físico normal – em comparação com o “truculento-latin lover-blasé” Javier Bardem – poderá lhe abrir um leque bem maior de possibilidades dentro dessa nova seara cinematográfica. Não decepcionou, felizmente.

Além deles, temos Damon.

Matt Damon é Matt Damon e vice-versa. Por mais esdruxula que possa parecer essa tautologia, é a mais transparente verdade. Se você já viu algum filme de ação protagonizado por Damon, você já viu todos. Você já entra na sala sabendo o que esperar, e ele não decepciona. Bom ator que é, Matt Damon nos entrega um ótimo protagonista, sem afetações e violências desnecessárias.

O Filme se passa em 2154. O planeta Terra se transformou em um imenso favelão. Um gueto gigante, multicultural e pobre, muito pobre. Os ricos vivem em uma estação espacial chamada Elysium. Lá, além de compartilharem suas utopias, são tecnicamente imortais, uma vez que desenvolveram uma câmara de salvação, que, em segundos, diagnosticam e curam todas as doenças inimagináveis.

Damon é Max, um ex-ladrão de carros que, desde criança sonhou em viver em Elysium. Entretanto, conforma-se com sua condição, trabalhando na linha de produção de uma das únicas fábricas restantes na Terra. Nesse universo, as metáforas de Blomkamp funcionam de forma eficiente, seja na truculência dos robôs policiais, seja no caos de um sistema de saúde natimorto. Para reforçar tais abismos sociais, os ricos são mostrados de forma caricata. Quase sem sangue circulando em suas veias.

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Uma série de acontecimentos trágicos (re)coloca Max no caminho de Spider, uma espécie de "líder de cooperativa" das viagens clandestinas para Elysium. Nesse exato momento, justamente quando a construção desse encontro começa a se desenvolver de forma interessante, o filme desanda para uma risível e constrangedora historieta de super-heróis, no pior estilo "pobres x ricos" possível. O que a mão firme de Neill e suas metáforas sociais forjou durante toda a película se transforma, nos últimos trinta minutos em algo palatável, mastigado, previsível demais.

Infelizmente os interesses mercadológicos ditaram, mais uma vez, o rumo de um filme que poderia ser bem melhor.

Visualmente o filme enche os olhos. Blomkamp consegue construir uma história que, por mais que seja um sci-fi, consegue caminhar por soluções reais. A tecnologia das armas, sistemas e no cotidiano dos personagens não destoa de algo que, possivelmente, dentro de mais algumas décadas, possa realmente ser palpável para os seres humanos.

Como entretenimento, Elysium é um ótimo filme. Não vá esperando um "Distrito 9 - Parte 2", porque a frustração será mais certa que o previsível final da película. Resta-nos torcer para que a próxima empreitada de Neill Blomkamp seja tão – ou mais – avassaladora que o seu longa de estreia. Até porque o cenário de "sci-fis mamão com açúcar" já está bem saturado e sem novidades.

Infelizmente, um filme coxinha.

Filme: Elysium Direção: Neill Blomkamp Produção: Simon Kinberg / Bill Block Roteiro: Neill Blomkamp Elenco: Matt Damon, Jodie Foster, Sharlto Copley, Wagner Moura e Alice Braga Gênero: Ficção científica Duração: 106' Distribuição: TriStar Pictures


Guilherme Fernandes

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