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música, cinema e vírgulas

Guilherme Fernandes

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Inspirador, pero no mucho

"JOBS" é uma ode à Apple. Tudo gira em torno da criação e expansão da empresa, deixando a vida de seu criador em segundo plano. Uma ótima pedida para os "applemaníacos", entretanto, um filme regular para quem imagina se tratar de uma cinebiografia.


Steve Jobs foi um ser humano excepcional.

Se você passou os últimos vinte anos dentro de um bunker sem wi-fi, talvez não acredite nisso, mas Jobs foi um dos homens mais inspiradores do planeta. A quantidade de biografias, vídeos, textos e pechas motivacionais que, mesmo antes de sua morte, proliferavam-se nas livrarias, atesta isso. Lembro-me que, em uma determinada época, todos queriam ser Steve Jobs.

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Logo, nove entre dez pessoas são familiarizados com boa parte de sua história: o rapaz visionário que, na garagem de seus pais, com a ajuda de seus amigos, criou uma das marcas mais valiosas do mundo. Com seu temperamento explosivo e tino aguçado por uma criatividade sem escalas, Jobs revolucionou a indústria tecnológica ao investir todos os seus esforços na construção e consolidação do mercado de computadores pessoais. Chutou pessoas, foi chutado, se isolou e, como uma fênix, voltou para salvar a empresa que criou com seu próprio suor.

Se você já conhecia todas estas informações, a exibição de "JOBS" talvez não lhe cause tantas surpresas. A despeito da irretocável atuação de Ashton Kutcher no papel principal, a película narra os primeiros passos de Steve e seus companheiros, da criação da Apple até o seu retorno, em meados da década de 90.

Aos detratores, está tudo ali: seus desvios de caráter, seus excessos, sua repulsa e temperamento explosivo e sua necessidade de se cercar pelos melhores, deixando a falsa impressão de que "apenas" comandava o barco. Para seus admiradores, um prato cheio: sua eloquência, seu discurso apaixonado, seus chavões repetidos em todo e qualquer livro técnico de administração pós-2006 como a clássica: "as pessoas não sabem o que querem até mostrarmos a elas", entre outras.

Ainda assim, o filme poderia ter desenvolvido melhor as facetas de Jobs. Ao tentar mostrar todas de uma só vez em pouco tempo, pecou na continuidade e apresentação do personagem. Não que sejam necessárias apresentações morosas de Jobs, entretanto, certas sequências mostram-se confusas justamente pelo não desenvolvimento de certas passagens. Como, por exemplo, a cena em que Steve humilha sua namorada ao descobrir sua gravidez. Tempos depois, nega-se veementemente assinar um documento que o permite o direito de visitar sua filha – uma vez que a justiça já havia reconhecido sua paternidade – e, sequencias depois, Lisa, agora adolescente, desperta no sofá de sua casa, feliz e contente, sem maiores explicações.

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Em suma, o filme é uma ode à Apple. Tudo gira em torno da criação e expansão da empresa, deixando a vida de Jobs em segundo plano. Uma ótima pedida para os "applemaníacos", entretanto, um filme regular para quem imagina se tratar de uma cinebiografia. A Sony Pictures também trabalha em uma película inspirada em Steve Jobs. A adaptação do best-seller Steve Jobs: A Biografia, de Walter Isaacson, promete um enfoque maior na vida pessoal de Jobs. O excelente roteirista Aaron Sorkin (de “A Rede Social” e “The West Wing”) é responsável pelo tratamento inicial.

Em todo caso, mesmo sem ousadia e um pouco confuso, é um ótimo filme. Levantem seus Ipods para o céu e tirem uma foto com a câmera invertida.

Título: Jobs Título Original: Jobs Gênero: Drama Ano lançamento: 2013 Diretor: Joshua Michael Stern Roteirista: Matt Whiteley Produzido por: Arthur Benjamin, Ronald Bulard, Michael Cain, Gil Cates Jr., Sheri L. Deterling e Douglas Hansen, entre outros Elenco: Ashton Kutcher, Dermot Mulroney, Josh Gad, Lukas Haas, Matthew Modine, J.K. Simmons, Lesley Ann Warren, Ron Eldard, Ahna O'Reilly, Victor Rasuk, John Getz, Kevin Dunn, James Woods, James Woods e Eddie Hassell, entre outros Duração: 122' Idioma: Inglês País: Estados Unidos Distribuidora: Playarte Site Oficial: www.jobsthefilm.com Trailer:


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