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música, cinema e vírgulas

Guilherme Fernandes

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costa gravas: um soco no estomago

Com uma direção vigorosa e inteligente, Gravas mantém o ritmo do filme intenso, sem muitos momentos mornos ou que possam fazer o espectador perder a atenção. Uma ótima pedida para quem se interessa em entender sobre as relações de poder e desvios morais da sociedade.


O cinema de Costa-Gravas não é para qualquer um.

Sua filmografia é pautada em fortes criticas sociais, onde aborda de forma perturbadora as relações de poder, os jogos políticos e, na maioria das vezes, a mentalidade absurda dos cidadãos desesperados. Filmes como "Z" (1969), "Estado de Sítio" (1972) e "O Corte" (2005) são verdadeiros socos no estomago dos mais conformados – ou desavisados – com o sistema político vigente.

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Seu mais recente longa, "O Capital" (2012), baseado num romance homônimo do francês Stéphane Osmont, ataca de forma precisa as implicações morais e financeiras de uma suposta crise, trazendo novos ares à tão recorrente discussão sobre os acontecimentos econômicos de 2008. O filme conta a história de ascensão de Marc Tourneil (Gad Elmaleh) e os inescrupulosos jogos de poder que ele enfrenta – e cria – para se manter na presidência do banco Phenix.

Ao receber uma oportunidade temporária de obtenção do cargo de presidência, Tourneil entra de cabeça no jogo de poder, submetendo-se aos mais insólitos pactos econômicos, negociações e estratégias, entrando em conflito com sua vida pessoal. De origem simples, Marc deixa sua moral de lado e age sem travas éticas a fim de firmar-se na presidência do Banco. Numa reunião, chega a dizer aos acionistas que sua função é roubar os pobres para dar aos ricos, tal como um Robin Hood às avessas, e é saudado com aplausos e comemorações efusivas.

Gabriel Byrne, no papel do investidor americano Dittmar Rigule, tem uma ótima atuação. Frio, ousado e sem escrúpulos, torna-se o maior aliado de Tourneil nas estratégias para assegurar o Frances na presidência do Banco. Entretanto, tais preceitos não seriam verossímeis se os estragos morais em sua vida pessoal não fossem sentidos. Ainda "verde" nos planos, é seduzido por uma modelo, que, bela, consegue tudo o que precisa de Marc, sem dar nada em troca. E iludido nesse mundo de extravagâncias e glamour econômico, Marc tenta, de todas as formas, manter-se no topo, mesmo que isso lhe traga consequências piores que "vender a alma" às grandes corporações.

Costa-Gravas - Foto.jpg

Com uma direção vigorosa e inteligente, Gravas mantém o ritmo do filme intenso, sem muitos momentos mornos ou que possam fazer o espectador perder a atenção. Tudo que acontece no filme são acontecimentos interligados, que podem vir – ou não – a ser explicados mais para frente da película.

Uma ótima pedida para quem se interessa em entender sobre as relações de poder e desvios morais da sociedade. Um filme interessante para os amantes da política. Mais um filme obrigatório para os fãs do veterano cineasta grego.

Filme: O Capital Título Original: Le Capital Diretor: Costa-Gavras Roteiro: Costa-Gavras, Jean-Claude Grumberg, Karim Boukercha Elenco: Bernard Le Coq, Bonnafet Tarbouriech, Céline Sallette, Daniel Mesguich, Eric Naggar, Gabriel Byrne, Gad Elmaleh, Hippolyte Girardot, Jean-Marie Frin, John Warnaby, Liya Kebede, Natacha Régnier, Olga Grumberg, Philippe Duclos, Yann Sundberg Produção: Michèle Ray-Gavras Fotografia: Éric Gautier Montador: Yannick Kergoat, Yorgos Lamprinos Trailer:


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