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Guilherme Fernandes

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protest the hero: virtuose e diversão

O Protest The Hero é um daqueles grupos que você precisa conhecer. Um dos nomes mais originais e promissores do cenário musical atual, misturam Metalcore, Progressivo, Mathcore, pitadas de Jazz e o melhor da música Pop.


O Protest The Hero é um daqueles grupos que você precisa conhecer. A mistureba de Metalcore, Progressivo, Mathcore, pitadas de Jazz e o melhor da música Pop parecem insólitos se colocadas na mesma frase. Não nas canções dos Canadenses comandados pelo carismático Rody Walker.

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O termo "Metal Progressivo" pode assustar, além de ser um rótulo errôneo para essa banda. Um ouvinte desavisado pode pensar que se trata daquela "matemática musical", composta de milhares de riffs, introduções quilométricas e virtuose arrogante. Nada disso. Longe disso. Ou melhor, bem longe disso. O Protest The Hero consegue mesclar todas as influencias progressivas dentro de canções curtas (em toda discografia, poucas ultrapassam os 6 minutos) e eficazes. Sem grandes firulas, vão direto ao ponto. E é por isso que não é nenhum exagero dizer que o Protest The Hero é um dos nomes mais originais e promissores do cenário atual.

Logo nos primeiros anos a banda lança os EPs "Search for the Truth" e "A Calculated Use of Sound", que já mostram o potencial criativo dos caras. Mas é em 2005, com o álbum conceitual "Kezia" que o Protest The Hero mostra à que veio. Com passagens extremamente técnicas e executadas de forma quase perfeita – na maior velocidade possível, diga-se – a banda deixa todos boquiabertos com a sua precisão psicótica. As músicas são maçarocas caóticas, que, quando juntas, formam talvez uma das pérolas de criatividade do metal moderno. Músicas como "No Stars Over Bethlehem", "Blindfolds Aside" e "She Who Mars the Skin of Gods" fritam seus miolos logo na largada.

Três anos depois, a loucura acelerada dá lugar ao groove envenenado de "Fortress", segundo álbum dos canadenses. Se em "Kezia" a banda primava pela velocidade, aqui ela só é utiliza nos momentos necessários para a construção de cada canção. Entretanto, se falta velocidade, sobra insanidade para cada tema, que se complementa com os vocais estrondosos de Walker (uma boa mistura de drives, guturais, falsetes e vocalizações impressionantes para um ser humano de sua pouca idade).

Peças como "Bloodmeat" e "Sequoia Throne" mantém o queixo do ouvinte caído, como de costume. Mas é a dobradinha "Goddess Bound" e "Goddess Gagged", que encerram o disco, que mostra uma banda sem medo de ousar, aplicando-se cada vez mais em parir canções cada vez mais únicas, cada vez mais autorais, fora dos famigerados padrões da industrial musical.

Devidamente estabelecidos, não apenas entre o público do metalcore, o grupo canadense lança em 2011 o seu terceiro disco, "Scurrilous". E nesse registro fica-se evidente que o Protest The Hero não está para brincadeiras. A começar por Rody Walker, que agora mostra que não é apenas mais um dos muitos vocalistas de metalcore que padronizaram as estruturas vocais do estilo em "drive-limpo-drive-gutural-limpo". Suas vocalizações são destaques em quase todas as canções, sabendo dosar os falsetes e medindo a potencia dos seus gritos.

O disco começa com uma sequência eletrizante com a emocional "C'est la Vie", passando pela excelente "Hair-Trigger" e acabando com a violenta "Tandem". A partir da quarta faixa, o experimentalismo beira a megalomania, com temas insanos como "Tapestry" e "Tongue-Splitter", fechando com a Pop "Sex Tapes".

Os canadenses abandonaram sua gravadora, a Underground Operations, e recorreram ao crowdfunding para financiar seu quarto trabalho de estúdio. Quem pulou do barco também foi o baterista Moe Carlson, sendo substituído por nada menos que Chris Adler, do Lamb of God.

"Volition", lançado em 29/10, não deixa a peteca cair, e mostra a banda em frenética evolução. Mais diretos que em seus outros registros, não dão descanso aos ouvintes, com as pedradas “Clarity”, “Underbite” e “Drumhead Trial”. Com muitos refrãos empolgantes e ótimas referências a cultura pop, os canadenses acertam mais uma vez e compõem um dos discos mais bacanas de 2013.

Vale a pena conhecer o Protest The Hero!


Guilherme Fernandes

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