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música, cinema e vírgulas

Guilherme Fernandes

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Duro de matar Blues Band

Exímio gaitista, Bruce Willis reuniu mais dois guitarristas, um baixista, um baterista, um tecladista e um par de backing vocals e formou a sua própria banda de rock and blues, os Accelerators.


Astros e estrelas de Hollywood, assim como nós, possuem um passado. Basta uma boa pesquisa para se deparar com várias narrativas insólitas da indústria do entretenimento. De animador vestido de galinha (Brad Pitt), que dançava na rua para angariar clientes para um fast-food a um vendedor de amendoim nas ruas de seu bairro (Tom Hanks), a verdade é que a maioria dos atores, hoje idolatrados, tiveram empregos e viveram situações interessantes em sua caminhada rumo ao estrelato.

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Bruce Willis é um desses. Antes mesmo de dar vida ao eterno John McClane em "Duro de Matar" (1988), Willis perambulava pelos meandros musicais. Exímio gaitista, Willis reuniu mais dois guitarristas, um baixista, um baterista, um tecladista e um par de backing vocals e formou a sua própria banda de rock and blues, os Accelerators. Em 1987, lançou - pela Motown - o álbum "The Return of Bruno". Elogiado pela crítica, o disco tem como destaque uma regravação de "Respect Yourself", clássico soul/R&B do grupo The Staple Singers, que alcançou o 5º lugar das paradas estadunidenses naquele mesmo ano.

Um ano depois foi lançado um "mockumentary" – uma espécie de documentário "de mentira" – a respeito da influência de um roqueiro dos anos 60 no meio musical, chamado Bruno Radolini, vivido por Willis. Tal filme ajudou ainda mais a alavancar a carreira dos Accelerators, com participações de nomes como Elton John, Jon Bon Jovi, Phil Collins, Bee Gees, Joan Baez, Paul Stanley (Kiss), Ringo Starr e Brian Wilson (Beach Boys), entre outros em seus shows.

Já em 1989, sairia outro disco, "If It Don’t Kill You, It Just Makes You Stronger". Sem o mesmo sucesso de seu antecessor, "If It Don't Kill You" é um grande trabalho na linha do Rhythm & Blues. Por mais que a produção desse segundo álbum não seja tão boa quanto à do primeiro registro, o trabalho em si evidencia a qualidade dos instrumentistas, onde flertam com o improviso e evidenciam influências das mais diversas, tais como música negra gospel, musica pop e soul music.

Após um longo hiato – especula-se que muito em razão dos inúmeros papéis de Willis, que alavancou sua carreira –, a banda se reuniu, em 2003, para uma série de apresentações para as tropas norte-americanas no Iraque.

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Infelizmente, não existem muitos registros e vídeos de boa qualidade das apresentações de Bruce Willis & The Accelerators. No entanto, uma rápida olhadela no youtube poderá lhe dar uma noção do talento de Bruce – ou Bruno, seu apelido desde os tempos de banda, como queira. E, por mais remota que seja as possibilidades de um novo disco, a história da banda ainda está "em aberto", uma vez que nunca foi anunciado o fim definitivo das atividades musicais.

É impossível mensurar as possibilidades de sucesso dos Accelerators, caso Willis tivesse focado em sua carreira musical. A qualidade dos registros lançados é incontestável, fato. No entanto, será que eles conseguiriam resistir ao mercado musical, ou tornariam-se apenas mais uma daquelas boas bandas, que somem após lançarem bons álbuns? Ou, caso Willis não tivesse aceitado a determinados papéis, eles continuariam sua carreira por clubes pequenos, tours recorrentes e festivais de médio porte? Nunca iremos saber.

E, talvez, essa seja a graça.


Guilherme Fernandes

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