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Guilherme Fernandes

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Capitão Phillips: uma possível zebra

Em "Capitão Phillips", Paul Greengrass azeita sua trama com muita ação e sua já clássica câmera urgente, sempre se movimentando para dentro do perigo, nunca para fora, como alguns diretores fazem. A linearidade de sua filmagem cativa e mantém o ambiente tenso, independente do que esteja sendo mostrado.


Filmes de Paul Greengrass são, em tese, filmados da mesma forma, independente da história que se conte. Isso não é um demérito. Pelo contrário. A linearidade de sua filmagem cativa e mantém o ambiente tenso, independente do que esteja sendo mostrado. E essa linearidade é vista mais uma vez em "Capitão Phillips", indicado ao Oscar de melhor filme.

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Aqui, Greengrass conta a história de Richard Phillips (Tom Hanks, soberbo), Capitão do navio cargueiro Maersk Alabama, sequestrado por piratas somalis, em 2009. A premissa, até certo ponto simplória, não impede Paul de fazer um ótimo filme.

Sua capacidade de criar ambientes tensos é vista desde o primeiro momento do filme, na conversa de Richard e sua esposa, no carro, enquanto era levado ao aeroporto. Pela sinopse você já entende que o navio será sequestrado, então, inconscientemente espera algum acontecimento fora da curva, mesmo que seja nos primeiros minutos de filme. E Greengrass se vale dessa expectativa para construir seu ambiente característico, onde já expõe quem são os heróis e os vilões da história.

Na primeira cena em que o povoado somali aparece, já é perceptível os desvios de autoridade e competições entre os próprios piratas. Do lado do navio, também é mostrado os problemas de convivência que Phillips irá enfrentar com sua nova tripulação. Partindo dessas premissas, o que esperar de um filme onde as cartas da estão marcadas? Não muita coisa, certo? Errado!

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Greengrass azeita sua trama com muita ação e sua já clássica câmera urgente – vide seus “Bournes” –, sempre se movimentando para dentro do perigo, nunca para fora, como alguns diretores fazem. Suas cenas de ação são bem construídas, com três ou quatro momentos de clímax ao longo da trama.

"Capitão Phillips" é um daqueles filmes que mostram com orgulho a já manjada superioridade americana. Talvez por isso figure entre os indicados para melhor filme, tal como foi ano passado, com "Argo" (2012), que concorreu contra filmes – minha humilde, parca e podre opinião – de qualidades muito superiores, como "A Hora Mais Escura" (2012), "Amour" (2012) e "Django Unchained" (2012).

É um bom filme? Sim, é. E não passa disso. Pode ser a zebra da premiação? Acho improvável.

Porém não coloco minha mão no fogo pela academia.

Filme: Capitão Phillips

Título Original: Captain Phillips

EUA , 2013 - 134 minutos.

Direção: Paul Greengrass

Roteiro: Billy Ray, Richard Phillips, Stephan Talty

Elenco: Tom Hanks, Barkhad Abdi, Barkhad Abdirahman, Faysal Ahmed, Mahat M. Ali, Michael Chernus, Catherine Keener, David Warshofsky, Corey Johnson, Chris Mulkey, Yul Vazquez, Max Martini


Guilherme Fernandes

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