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Guilherme Fernandes

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Arctic Monkeys: a vitória da internet

O Arctic Monkeys já escreveu seu nome na história do Rock Alternativo – ou indie, ou brit-rock, como queiram – e mostra que nem sempre a internet é a grande vilã do desenvolvimento musical contemporâneo


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O Arctic Monkeys é um dos filhos da geração internet. E quando digo isso, não os coloco no balaio de gato que classifica – indevidamente – toda e qualquer banda surgida depois do ano 2000 como uma banda dessa geração. Classifico como bandas de internet as bandas que realmente fizeram sucesso na rede antes de estourarem para o público comercial. No Brasil, um dos casos mais interessantes é o da banda Fresno – para desespero dos chorões da internet – que lotavam casas de shows apenas com o transito de suas músicas disponibilizadas em sites de compartilhamento de arquivos.

Pois bem, os meninos britânicos foram levados pela onda da internet até o estrelato. De perfis no MySpace criados sem a anuência da banda ao videoclipe de "Fake Tales Of San Francisco", filmado por um fotógrafo amador que teve milhares de views no Youtube, o Arctic Monkeys foi se consolidando como uma das bandas mais interessantes da cena Indie Rock.

Seus dois primeiros CDs são verdadeiras pérolas de transpiração adolescente. Seu primeiro registro, "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" (2006) pega fogo logo na quadra de abertura: "The View from the Afternoon" , "I Bet You Look Good on the Dancefloor", "Fake Tales of San Francisco" e "Dancing Shoes" não dão descanso ao ouvinte, fazendo até o ser mais católico bater o pé e se remexer ao som dos garotos de Sheffield.

Menos de um ano depois do lançamento de seu debut, "Favourite Worst Nightmare" é lançado e mantém a mesma intensidade com os hits instantâneos "Teddy Picker", "Fluorescent Adolescent" e "Brianstorm", consolidando-os como uma banda fora dos rótulos de "promessa", tornando-os realidade dentro do cenário musical.

No entanto, crianças crescem. E o Arctic Monkeys cresceu. Assim como sua música.

Da explosão sonora dos dois primeiros discos, os britânicos pisaram forte no freio com "Humbug" (2009). Com melodias mais intrincadas e um direcionamento mais sério, o registro produzido por Josh Homme (Queens Of The Stone Age) dividiu opiniões e fãs. De um lado, os mais puristas, que queriam uma nova versão de seus dois primeiros registros. De outro, ouvintes que nunca haviam levado os garotos a sério e se interessavam pela "nova banda", com um direcionamento menos juvenil.

A consagração desse direcionamento veio em 2011 com "Suck It and See". Um pouco mais ousado – e coerente – que seu antecessor, "Suck It and See" comprova o amadurecimento musical dos garotos, mostrando para o mundo que eles estão prontos para ocuparem um lugar de destaque dentro do Rock Britânico. Cada vez mais vintage – e nem por isso menos atual – a banda empolga com canções como "Black Treacle", "Don't Sit Down 'Cause I've Moved Your Chair" e a faixa título.

Audaciosos, os garotos não param. Em 2013 lançam o petardo "AM", onde unificam diversos direcionamentos musicais. Mais soturnos, impressionam com faixas mais obscuras – "One for the Road", "Arabella" – e relembram suas explosões adolescentes – com a ótima "R U Mine?".

Para muitos, o melhor álbum da carreira do quarteto, difícil de ser batido por eles próprios. Para outros, apenas mais um passo na evolução musical dos garotos de Sheffield. Seja como for, o Arctic Monkeys já escreveu seu nome na história do Rock Alternativo – ou indie, ou brit-rock, como queiram – mostrando que nem sempre a internet é a grande vilã do desenvolvimento musical contemporâneo.


Guilherme Fernandes

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