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Guilherme Fernandes

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E agora, Spiderman?

O Espetacular Homem-Aranha conseguiu vencer a ameaça de Electron, mas será que conseguirá vencer ao cansaço iminente e seus roteiristas preguiçosos?


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Findada a exibição de "O Espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electron", me perguntei: "E agora, Aranha? Para onde você vai depois de um filme como esse"?

Após a leitura de algumas críticas, percebi que a minha preocupação é a mesma dos fãs racionais. Isso porque, para os fanáticos e apreciadores de oportunidade, sim, o filme foi ótimo. Têm explosões, histórias de amor e plot twists a cada vinte minutos.

Espantou-me ver Nova York ser destruída – aliás, essa destruição gratuita já cansou – com plateia e torcida. Infelizmente é dessa destruição televisionada que são tirados os melhores momentos do filme. O prazer estético é garantido, as cenas são ótimas com um Homem-Aranha cada vez mais veloz, no entanto o filme não seduz. Prazer estético é importante sim, claro, mas não é a única coisa a ser levada em consideração. Um bom roteiro, atuações, fotografia, e, claro, utilização das tecnologias são tão importantes quanto e podem melhorar ou piorar a experiência cinematográfica.

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Nessa toada, "O Espetacular Homem-Aranha 2" desanda. E feio.

O filme não desenvolve nenhum personagem, a história não se sustenta por si só e o absurdo é tratado como normal, dentro do ambiente emulado em uma Nova York que nem de longe representa a iconoclastia necessária para que a tensão “herói x forças de segurança normais” se desenvolva de forma aceitável. Todos amam o Homem-Aranha, e, se não amam, estão errados.

E o que dizer da desgracenta atuação de Dane DeHaan, que, junto com Paul Dano, está entre a nata dos jovens e promissores atores de nossa geração? DeHaan dá vida a um Harry Osborn sem sal e com sérias afetações psicológicas, o que o afasta da explosão dramática de seus papéis anteriores, como, por exemplo, o estupendo "O Lugar Onde Tudo Termina" (2013). A mesma coisa para Jamie Foxx, que reproduz o seu papel do "The Soloist" (2009), anabolizado por um superpoderoso acidente elétrico.

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O roteiro de Alex Kurtzman, Roberto Orci e Jeff Pinkner apara as arestas deixadas em aberto no primeiro longa da franquia renascida – como a resolução dos impasses quanto à família de Peter Parker –, mas consegue cair no mesmo erro de Sam Raimi e seu "Homem Aranha 3" (2007), ao bagunçar o filme com inúmeros vilões – aqui, três – sem aprofundar nenhum deles, e ainda abrir precedentes para uma possível continuação com o Sexteto Sinistro. Ou seja, se a esbórnia foi criada com três vilões, imagina a sequência, com, ao que parece, seis deles?

Andrew Garfield, apesar de visivelmente gostar do papel do aracnídeo, definitivamente não convence. Assim como Maguire em 2002, no primeiro filme – que, quando parecia achar o tom do personagem, abandonou o barco junto com Raimi –, parece estar incomodado demais na pele de Peter Parker e "muito soltinho" na pele do Homem-Aranha, o que, por mais que faça parte do contexto estabelecido para esta franquia, destoa de uma abordagem geral do filme.

O Espetacular Homem-Aranha conseguiu vencer a ameaça de Electron, mas será que conseguirá vencer ao cansaço iminente e seus roteiristas preguiçosos? Repetirá os mesmos erros de Sam Raimi ou conseguirá encontrar um caminho mais palatável e interessante para sua sequência?

Por enquanto, apenas passos em falso. Tomara que o cenário mude. Rápido. Bem rápido.

Filme: O Espetacular Homem-Aranha 2: a ameaça de Electron

Título Original: The Amazing Spider-Man 2: rise of Electron

EUA , 2014 - 142 minutos, Ação

Direção: Marc Webb

Roteiro: Alex Kurtzman, Roberto Orci, Jeff Pinkner

Elenco: Andrew Garfield, Emma Stone, Jamie Foxx, Dane DeHaan, Colm Feore, Sally Field, Paul Giamatti, Campbell Scott, Felicity Jones


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