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música, cinema e vírgulas

Guilherme Fernandes

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Closer: quando a sinopse atrapalha

A sinopse de Closer, pobre, atrapalha. Te afasta do filme. Por mais que o mundo viva de forma virtual e visual, as letras ainda fazem parte do negócio. Uma sinopse bem redigida pode instigar e fazer você perder boas horas de seu dia - em vão ou não.


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Deveriam demitir certos redatores de sinopses. Na ânsia por assistir apenas o "fino da bossa", cinéfilos amadores dão muita atenção às sinopses. Eu mesmo não consigo assistir a um filme – salvo os lançamentos de alguns diretores de minha preferência – sem ler a sinopse. Sim, eu sou do século passado, caso seja necessário declarar. Sou do século passado e leio sinopses, ao invés de ver os trailers.

Geralmente só assisto a um trailer quando termino de assistir o filme, ou, nas salas de cinema, quando não estou prestando atenção nos cadarços dos meus sapatos. Por isso tenho tanto cuidado com as sinopses. Aquele microtexto precisa me seduzir para que eu possa perder algumas horas assistindo aquele filme. Por mais que o mundo viva de forma virtual e visual, as letras ainda fazem parte do negócio. Uma sinopse bem redigida pode instigar e fazer você perder boas horas de seu dia.

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"Closer" (2004) é um desses filmes. A sinopse, pobre, atrapalha. Te afasta do filme. Uma leitura rápida e objetiva – vivemos dias velozes, lembra? – te faz pensar que se trata de uma trama romântica, inflada com as desventuras amorosas dos quatro personagens principais. Alice (Natalie Portman) é uma stripper que mantém um relacionamento com Dan (Jude Law), um jornalista e escritor fracassado. Tempos depois, Dan seduz Anna (Julia Roberts), uma fotógrafa bem sucedida que, posteriormente, se envolve com Larry (Clive Owen), um médico igualmente bem sucedido, que se encontram por acaso, fruto de uma noite de delírios virtuais de Dan.

O que a sinopse não mostra é o intrincado mundo de mentiras e dissabores que este "quadrado amoroso" passa. A normalidade e a calmaria são desfeitas em questão de segundos. A cada sensação de conforto dentro da trama, uma reviravolta. Alice mantém um relacionamento estável com Dan, até ele apaixonar-se por Anna. Com a entrada de Larry na história, um caso extraconjugal e um "relacionamento de uma única noite" são suficientes para desabar o castelo de cartas que são os enlaces amorosos do quarteto.

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Desde os primeiros acordes da belíssima "The Blowers Daughter", de Damien Rice (estragada por aqui pelo duo Ana Carolina & Seu Jorge), a única sensação que temos é a de que não teremos controle dos acontecimentos nas próximas horas. A adaptação da peça homônima, escrita pelo inglês Patrick Marber em 1997, aqui, dirigida pelo cineasta Mike Nichols, furta-nos a sensação de previsibilidade nos 100 minutos seguintes. Seja em desventuras amorosas, no vocabulário "sujo", altamente pertinente para o decorrer da trama – ao contrário de algumas críticas da indústria –, seja na verdade incontestável que os personagens precisam encarar para que o caminhar das relações possam transitar pela normalidade. Mesmo que apenas por alguns minutos.

Filme: Perto Demais

Título Original: Closer

Direção: Mike Nichols

Roteiro: Patrick Marber

Elenco: Natalie Portman, Jude Law, Julia Roberts, Clive Owen, Nick Hobbs, Colin Stinton

Especificações: EUA , 2004, '100


Guilherme Fernandes

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