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música, cinema e vírgulas

Guilherme Fernandes

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Dom Hemingway M_th_r F_ck_r !

Em apenas dez minutos, "Dom Hemingway" entrega-nos um monólogo de abertura sobre a importância do próprio pênis, desrespeita as leis anti-fumo vigentes, esfacela a cara de um cidadão com socos e pontapés e conduz, em cortes rápidos, uma orgia regada a uísque, prostitutas e cocaína.


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No fim do primeiro ato de "A Recompensa", a singela prostituta Melody (Kerry Condon) diz que "quando você salva a vida de uma pessoa, significa que a boa sorte vai sorrir para você. Quando você menos esperar e quando mais precisar dela."

Sorte, no entanto, não é o que espera por Dom Hemingway (Jude Law) do lado de fora da prisão. Depois de 12 anos trancafiados por manter sua boca fechada, ao ser preso por um crime com ligação ao gângster Sr. Fontaine (Demian Bichir), Hemingway é solto e vai atrás de sua compensação financeira por ter ficado calado todo este tempo.

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Depois de uma sucessão de equívocos, Hemingway descobre que o mais importante é, na verdade, recuperar a sua antiga vida. Só que isso também não será o mais fácil dos trabalhos. Sua filha (Emilia Clarke), já adulta, o rejeita por ter sido preso e abandonado ela e sua mãe – já falecida – a própria sorte. Também descobre que é um profissional obsoleto em sua área de atuação – a saber, arrombamento de cofres – e perdeu lugar para as inovações tecnológicas complicadoras de lhe conseguir um novo trabalho.

Richard Shepard faz um bom filme. Com uma direção segura, parece seguir a cartilha instituída nos inúmeros manuais de roteiro de Sid Field sobre os dez primeiros minutos de trama. Com um Jude Law renascido das cinzas – leia-se, deixando de querer ser galã de romances adocicados –, gordo e com feições perturbadas, Shepard, em apenas dez minutos, entrega-nos um monólogo de abertura sobre a importância do próprio pênis do protagonista, desrespeita as leis anti-fumo vigentes, esfacela a cara de um cidadão com socos e pontapés e conduz, em cortes rápidos, uma orgia regada a uísque, prostitutas e cocaína.

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É uma pena que o filme se perde nas barrigas existentes na história. A combinação de um empolgado Law com uma comedida Emilia Clarke não resolve os pormenores da relação entre pai e filha, deixando a história muito aquém das cenas em que são focadas apenas no protagonista, onde explosões dramáticas e ferozes são as maiores qualidades da película. Méritos à Jude Law, que cada vez mais se distancia dos papeis corretos – a exceção das patacoadas egocêntricas de Downey Jr. – e abraça projetos mais desafiadores.

Independente da infeliz tradução do título, que expressa apenas os atos contidos na primeira parte da história e depende de analogias mais elaboradas por parte do publico, "A Recompensa" é um bom exemplar de cinema de entretenimento. Correto, bem filmado – exceto pela falha imperdoável na cena da festa automobilística –, com algumas atuações irretocáveis e pequenas falhas de roteiro, que, se não atendem o resultado final esperado para o espectador médio, vale o tempo perdido.

Filme: A Recompensa

Título Original: Dom Hemingway

Direção: Richard Shepard

2013, Reino Unido , 93', Comédia

Roteiro: Richard Shepard

Elenco: Jude Law, Richard E. Grant, Demian Bichir


Guilherme Fernandes

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