ricardo ferreira

Conjunturas sinápticas resumidas ortográficamente sobre Ciência e Fotografia

Ricardo Ferreira

Físico, fotógrafo, cinéfilo e louco, sempre me apoio em ombros de gigantes para tentar enxergar mais a frente. Interesso-me pelo original, odeio mediocridade e adoro tornar belo, paisagens esquecidas pela poeira do tempo.

A métrica da Realidade

O que é realidade? É o que vemos com nosso cérebro? É o que vemos com nossos olhos? Ou estamos na Matrix e logo logo Neo e Trinity entrarão em contato?
Existe uma realidade física que é absolutamente sólida, mas só começa a existir quando colide com outro pedaço de realidade física. Esse outro pedaço pode ser nós mesmos, afinal também fazemos parte desse momento, mas não precisa necessariamente ser.


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Filósofos no passado diziam: “Se eu chutar uma pedra e machucar meu dedo, é real. Estou sentindo, é vívido”, quer dizer que é realidade, mas não passa de uma experiência, uma percepção dessa pessoa do que é real. O cérebro processa 400 bilhões de bits de informação por segundo, mas só tomamos conhecimento de 2000 bits e esses são sobre o meio ambiente, nosso corpo e o tempo. Se o cérebro está processando 400 bilhões de bits de informação, mas só percebemos 2000 bits significa que a realidade está acontecendo a todo o momento que o cérebro está recebendo a informação, mas nós não a absorvemos, pois o cérebro imprime o que ele tem habilidade para ver. Vivemos em um mundo onde só enxergamos a ponta do Iceberg, a ponta clássica de um imenso iceberg do mundo subatômico. Do jeito que ele funciona só conseguimos ver o que acreditamos ser possível, nós associamos tudo a padrões que já existem dentro de nós através de um condicionamento.

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Passamos por vários problemas até nos tornarmos adultos, por isso funcionamos como se estivéssemos emocionalmente desligados de tudo ou como se estivéssemos revivendo o passado. Nós escolhemos desligarmos por completo ou reagirmos com exagero emocional, pois recorremos a um momento prévio da nossa realidade. Assim a pessoa não está funcionando como um todo integrado. Por que continuamos recriando a mesma realidade? Por que continuamos tendo os mesmos relacionamentos? Por que continuamos tendo os mesmos empregos repetidamente? Nesse mar infinito de possibilidades que existem à nossa volta, por quê continuamos recriando as mesmas realidades? É possível estarmos tão condicionados à nossa rotina, tão condicionados à forma como criam nossas vidas, que compramos a ideia de que não temos controle algum? Fomos condicionados a crer que o mundo externo é mais real que o interno. Criamos modelos de como enxergamos o mundo exterior, quanto mais informações temos, mais refinamos nosso modelo de um jeito ou de outro. Na verdade contamos uma história para nós mesmos de como o mundo exterior é. Qualquer informação que processamos qualquer informação que absorvemos do ambiente sempre é colorida pelas experiências que tivemos e por uma resposta emocional acerca do que estamos absorvendo.

O cérebro é feito de pequenas células nervosas chamadas neurônios, eles possuem ramificações para se conectarem e formarem uma rede neural, cada área conectada está integrada a um pensamento ou memória, o cérebro constrói todos os conceitos através de memórias associativas. Por exemplo: idéias, pensamentos e sentimentos são construídos e interconectados nessa rede neural e todos têm uma possível relação. logo.jpg

O conceito do sentimento amor, por exemplo, está guardado nessa vasta rede neural, mas construímos o conceito do amor a partir de muitas outras idéias diferentes, algumas pessoas têm o amor ligado ao desapontamento, então quando pensam em amor, experimentam a memória da dor, mágoa, raiva. A mágoa pode estar ligada a uma pessoa específica que remete a conexão do amor. Quando o cérebro funciona se parece com uma tempestade elétrica. Os vãos entre as sinapses são como o céu que fica entre a tempestade e a terra, você vê as nuvens negras se formando no céu e você vê os impulsos elétricos se movendo através de raios. O cérebro se parece com uma tempestade elétrica quando está formando um pensamento coerente. Ninguém nunca viu um pensamento, mas essas tempestades foram observadas em diferentes quadrantes do cérebro, áreas estas que não correspondem ao corpo ou a reações, mas sim a imagens virtuais. IRA, ASSASSINATO, ÓDIO, AMOR, COMPAIXÃO. O cérebro não sabe a diferença entre o que vê no ambiente e do que se lembra, pois ele acessa a mesma rede neural.

tempestade_vulcanica_macaco_malandro.jpg"Cérebro em dia de prova na faculdade"

Sabemos fisiologicamente que as células nervosas que se ativam juntas ficam conectadas, se você praticar algo sempre, essas células terão um relacionamento longo. Se você ficar com raiva diariamente, ou ficar frustrado diariamente, ou se der motivos para a vitimização da tua vida, estará reconectando e reintegrando esta rede neural diariamente e daí essa rede neural terá um relacionamento duradouro com todas as outras células nervosas. Mas seriam então, as emoções coisas ruins? Elas são desenhadas para reforçar quimicamente sua memória. Emoção nada mais é que química. A farmácia mais sofisticada do mundo está no nosso cérebro. Existe uma parte do cérebro chamada hipotálamo que parece uma pequena fábrica, ele reúne certos materiais químicos que se combinam com certas emoções. Alguns materiais são chamados de peptídeos, pequenas cadeias de aminoácidos. O corpo produz cerca de 20 tipos diferentes de aminoácidos para formular sua estrutura física. No hipotálamo, peptídeos combinados com hormônios formam os estados emocionais que sentimos diariamente, existem materiais químicos para raiva, para tristeza, para vitimização, para desejo, para todos os estados emocionais pelos quais passamos. No momento que sentimos um estado emocional em nosso corpo ou em nosso cérebro, o hipotálamo imediatamente combina o peptídeo e o libera através da pituitária diretamente na corrente sanguínea, no momento que atinge a corrente sanquínea ele acha seu caminho para diferentes partes do corpo, todas as células do corpo possuem receptores externos.

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Assim, como alguém pode afirmar que está apaixonado por uma pessoa específica? Eles só estariam apaixonados pela antecipação das emoções pelas quais o hipotálamo produz e nas quais suas células nervosas já possuem uma conexão duradoura (vício). Pois a mesma pessoa pode não ser mais querida na semana seguinte. Nós somos as emoções e as emoções somos nós. Não podemos separar as emoções se levarmos em conta que cada aspecto de digestão, o esfíncter que abre e fecha os grupos de células que recolhem os nutrientes e vão embora, tudo isso está sobre influência das moléculas da emoção. Como poderíamos distinguir o real do imaginário se estamos sob constante bombardeio químico vindo do nosso principal sensor de realidade.

Todas as épocas e gerações têm suas próprias suposições, o mundo é plano, o mundo é redondo, etc.. Existem centenas de suposições que acreditamos ser verdadeiras, mas que podem ou não ser verdadeiras. Claro que históricamente, na maioria dos casos essas suposições não eram verdadeiras, se tomarmos a história como guia, podemos presumir que muitas coisas em que acreditamos sobre o mundo podem ser falsas. Mas estamos presos a certos preceitos sem saber disso, a maioria do tempo. Nós criamos a realidade. Nós somos máquinas que produzem realidade. Nós criamos os efeitos de realidade o tempo todo sempre perseguindo algo refletido no espelho da memória. Se estamos ou não vivendo em um grande mundo virtual é uma pergunta sem uma boa resposta, porque é um grande problema filosófico e temos que lidar com ele conforme o que a ciência diz do nosso mundo pois somos sempre observadores na ciência, ficamos limitados ao que o cérebro capta, ou no caso das emoções produz. É a única forma de vermos e percebermos as coisas que fazemos. Então é possível que isso tudo seja uma grande ilusão da qual não conseguimos sair para ver a verdadeira realidade.

img_4.jpgLinha que separa a realidade do mundo


Ricardo Ferreira

Físico, fotógrafo, cinéfilo e louco, sempre me apoio em ombros de gigantes para tentar enxergar mais a frente. Interesso-me pelo original, odeio mediocridade e adoro tornar belo, paisagens esquecidas pela poeira do tempo..
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