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"Prefiro a poesia. Um risco, um rabisco. E, depois disso, a eternidade."

Mariana Martins

Flanêur, escritora, observadora, mochileira, arquiteta-urbanista pela FAU USP. Paulista e Paulistana - com muito orgulho -, com um pezinho na cidade do Porto, Portugal de onde tem muitas saudades. Twitta no le_papillon_m.

Hunger Games: a antiutopia

Um roteiro cheio de referências. Uma filmagem hipnótica. Nos cinemas de todo o mundo, estourando records de bilheteria com apenas uma sexta-feira em cartaz, do diretor Gary Ross, Jogos Vorazes.


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Ingressos para pré-venda acabaram semanas antes da estréia.

O investimento, $19.7 milhões, o maior realizado para um release não seqüencial. A adaptação para o cinema do livro best-seller de Suzanne Collins, muito esperada pelo público, parece atender às expectativas dos produtores.

Essa manhã, dia 24, estima-se que os lucros do filme já cheguem a $68.2 milhões, apenas com as vendas da sexta-feira. E o filme logo deve ficar entre as 5 maiores bilheterias de estréia da história.

Um país que foi consumido pela guerra. Um novo sistema de governo surge. O capitol e doze distritos subordinados.

Um filme futurista e cheio de referências clássicas.

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O roteiro parece uma mistura de 1984 de George Orwell, Hamlet de Shakespeare, Metamorfose de Kafka, e na raiz não deixa de ser o mito do Minotauro, ainda comparado pela crítica do Times a uma mistura de Logan´s Run, Lord of the Flies e The Running Man. Ouso dizer que tem algo de Blade Runner nisso tudo também.

A arena onde os garotos devem lutar por sua sobrevivência lembra em vários aspectos as lutas no Coliseu. O cenário gigantesco da briga - uma floresta, os animais colocados para apimentar a luta pela sobrevivência, e, como não poderia faltar, um enorme público espectador ávido por sangue, intrigas, heróis… tudo visto e controlado por um verdadeiro Big Brother carniceiro - com patrocinadores e tudo, dos quais muito depende a vida dos jogadores.

Hunger Games também mostra o extremo da discrepância social entre a capital e os distritos. E, claro, se a arena lembra um coliseu, os espectadores lembram muito os romanos, colocando seus povos subordinados para lutar, ainda que os considere parte do Império Romano. As semelhanças não param por aí. Toda a opulência da capital é sustentada pelos distritos que produzem minério, alimentos e em troca vivem numa miséria e repressão terríveis. Algo me diz que no terceiro filme, veremos alguma coisa como V de Vingança surgir. No terceiro, porque o segundo deverá ser um filme de explicações, já que muita informação contida no livro não foi para a telona.

A violência do filme é quase hipnótica. Coloca o ser-humano em condições extremas, tanto dentro quanto fora da arena, e leva a alguma reflexão.

A filmagem deixa um pouco a desejar. Se alonga muito no começo e parece passar por cima de algumas coisas importantes, como a função dos patrocinadores na sobrevivência dos jogadores.

De qualquer maneira, um novo estilo veio para ficar com os livros de Suzanne Collins, o romance de antiutopia. Isso mesmo, o oposto de uma utopia. Embora o filme não seja uma obra-prima, certamente levará muitos espectadores a assistir ao restante da trilogia. Do diretor Gary Ross, nos cinemas de todo o mundo a partir de 23 de Março.


Mariana Martins

Flanêur, escritora, observadora, mochileira, arquiteta-urbanista pela FAU USP. Paulista e Paulistana - com muito orgulho -, com um pezinho na cidade do Porto, Portugal de onde tem muitas saudades. Twitta no le_papillon_m..
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