Cultura popular não é tudo aquilo que a mídia empurra.
Tenho me irritado profundamente com essa papa mal mastigada que supostamente temos que engolir de que a música brasileira estaria enfestada de "eu quero tchu, eu quero tcha" e "ai se eu te pego" porque isso sim seria uma manifestação representativa fiel da cultura popular brasileira.
Trata-se de um profundo desentendimento do termo "popular".
Não tenho nada contra o "ai se eu te pego" mas alguém vai lembrar dele em cinco anos?
Garota de Ipanema é cantada e tocada em todos os cantos do planeta há décadas porque aquilo sim era uma manifestação musical da cultura popular brasileira.
A MPB é e sempre foi reconhecida no mundo pela sua qualidade excepcional. Uma qualidade que não morreu. Tem uma moçada nova fazendo música brasileira excelente, com harmonia e letras incríveis. Ainda assim, pasmem, quase sem espaço nenhum na mídia!
Esse pessoal da nova da MPB tem um som excelente que merece ser divulgado. Estão aqui alguns deles:
5 a seco. Cantores mais famosos têm assassinado músicas desse conjunto. Cantadas por eles as músicas são, entretanto, impecáveis. Arranjos de cordas bem montados, vocais excelentes. A banda se destaca de tantas outras que têm se formado no cenário da mpb principalmente pelas letras.
A queridinha do momento, Maria Gadú, que a mídia não conseguiu segurar. Tentaram disfarçá-la de Cássia Eller. Não deu certo. A musicalidade e o estilo são todos dela. O mérito é todo dela. Não é um corte de cabelo e umas roupas com cara de menino que vão apagar o brilho com que ela canta. Além de tudo, mal estabeleceu seu próprio lugar, Maria Gadú já abriu caminho para vários outros músicos e compositores pouco conhecidos e de qualidade excelente.
Dani Black. Nessa versão maravilhosa de Aurora, Dani canta com Maria Gadu. Ex-integrante da banda 5 a seco, Dani Black está construindo uma carreira solo como compositor. Vale a pena ouvir.
Marcelo Jeneci.
Mariana Aydar.
Pitanga em pé de amora. Impressiona principalmente a qualidade e sofisticação dos arranjos desse grupo.
Mayra Andrade. Morou em Cabo Verde boa parte de sua vida e por isso tem um sotaque e uma influência da música africana inconfundíveis.
Capim Seco. Instigante, com arranjos surpreendentes.
Garotas Suecas. Eles começaram fazendo cover do Rolling Stones nos bares da Augusta. Com um som maduro e bem construído, hoje a banda paulista surpreende pela criatividade tanto na música quanto nos videoclipes.
Orquestra Brasileira de Música Jamaicana. Colocando um certo humor em composições antigas, tem um estilo descompromissado e divertido como as antigas marchinhas de carnaval.
Roberta Sá. Dona de uma voz inacreditavelmente afinada- e do próprio nariz -, já cantou até com Chico Buarque. Acompanhada de músicos fantásticos, tem impressionado e encantado a crítica.
Esse pessoal veio para provar que a cultura brasileira é uma fonte exuberante de inspiração e que dela sai a verdadeira manifestação popular digna desse título.
Música de qualidade está por aí, mas é preciso procurar. A divulgação é feita por outros meios: as redes sociais, sites como o Musicapavê e a Obvious, claro, dentre outros.
Não interessa à mídia divulgar música de qualidade. Embrutecer os ouvidos das pessoas e deseducá-las é melhor. Quanto mais se discute o ai se eu te pego, ou a novela, menos se enxerga o dinheiro mal-gasto nos estádios da Copa do Mundo e a falta de investimento em educação e cultura de verdade. E vejam a perversidade disso tudo: além de empurrar música de má qualidade, a mídia ainda faz com que se acredite que o lixo surgiu espontaneamente da cultura do povo brasileiro.
Em tempos como esse em que vivemos, é preciso procurar a inspiração. Ela não vem até nós; nós é que temos que buscá-la.
Comentários
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Isabela
Parabéns por revelar tão bons exemplos da nossa música que, em sua maioria, de fato não estão em evidência para o grande público. No entanto, pra mim o artigo tornou-se pouco atraente à medida em que foi utilizando-se de adjetivos e argumentos tão rasos. "Lixo musical" e a "malvada da mídia culpada de tudo" me parecem argumentos de um adolescente, calouro em curso universitário, tendo as primeiras aulas de teoria da comunicação e seus desdobramentos.
Olá, Isabela, obrigada por seu comentário!
Como pode ver, eu não utilizei o termo "lixo musical", embora eu acredite realmente que o tipo de música a que me referi inicialmente não tenha qualidade para ser comparado com os exemplos dados. Quanto a meus argumentos, acho que dizer que o termo "popular" está sendo confundido com o vulgar não é um argumento raso. Definir esse termo seria, entretanto, um pedantismo, e por isso cabe ao leitor tirar suas próprias conclusões com seus conhecimentos. Também seria raso se eu dissesse que a culpa é inteiramente da mídia - o q não foi dito; acredito que a aceitação geral, não da música brega em si, mas de que ela é uma manifestação popular, é uma interpretação falha. Não é uma questão de em quem colocar a culpa; é de se vamos ou não reproduzir as mesmas ideias ou buscar novas, o que eu pensei ter deixado claro quando finalizei meu texto dizendo "é preciso procurar a inspiração. Ela não vem até nós; nós é que temos que buscá-la."
ALZIRA
MINHA QUERIDA HOJE(07/09) FIQUEI EMOCIONADA C/SEU COMENTÁRIO SOBRE O SENNA,TENHO IDADE SE SER SUA AVÓ,POR ISSO ME SINTO A VONTADE PARA FICAR ORGULHOSA POR UMA PESSOA TÃO VERDADEIRA COMO VOCE.MEUS OLHOS SE ENCHERAM DE ÁGUA,E REALMENTE HÁ MUITO TEMPO NÃO ME EMOCIONO TANTO ASSIM.PARABÉNS OBRIGADA PELAS COISA LINDAS,PELA DATA.SEU FUTURO E DE MUITO SUCESSOS
E FELICIDADES.UM GRANDE BEIJO,ALZIRA.
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