risco

"Prefiro a poesia. Um risco, um rabisco. E, depois disso, a eternidade."

Mariana Martins

Flanêur, escritora, observadora, mochileira, arquiteta-urbanista pela FAU USP. Paulista e Paulistana - com muito orgulho -, com um pezinho na cidade do Porto, Portugal de onde tem muitas saudades. Twitta no le_papillon_m.

RISCO entrevista o fotógrafo Kyle Thompson

Kyle Thompson, 20 anos. Com uma maturidade impressionante, vem experimentando novas possibilidades na fotografia. Fizemos uma entrevista para saber mais sobre seu trabalho.


Cenas que parecem ter sido criadas pela mente de um editor de efeitos especiais saem da câmera desse garoto de Chicago, Illinois. Rodopios de tecidos acompanham a queda de livros; sabe-se lá de onde eles vêm - às vezes do céu -, em meio ao frio cortante da neve ou da água do rio por onde flutuam balões vermelhos; a mesma água onde o fotógrafo enfia a cara depois de tê-la colocado em chamas na foto anterior. De repente, o corpo ganha asas, a cena ganha vida, a imaginação respira com novo fôlego. Páginas de um romance qualquer cobrem e deitam-se sobre o corpo pacífico do jovem.

Certamente, um futuro gênio da Fine Art.

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Você lê a seguir, na íntegra, a entrevista que fizemos com esse incrível compositor de imagens.

RISCO: Kyle, seu trabalho é instigante e agressivo. Ele às vezes vagueia em giros; outras, arde em chamas. A sua mente também estava girando e queimando quando você o criou? Ou é a paz mental que permite que você crie a confusão que vemos?

Kyle Thompson: Eu acho que a paz mental é o que me permite criar meus conceitos. Eu posso freqüentemente usar emoções de momentos em que a minha mente estava menos em paz, mas eu acho mais fácil ter novas ideias quando minha mente está calma.

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RISCO: O seu trabalho é claramente inspirado pelo surrealismo. Existe algum artista que o tenha inspirado diretamente a seguir esse caminho?

Kyle Thompson: Na verdade, muitos dos artistas que me introduziram na fotografia não eram exatamente surrealistas. Francesca Woodman foi minha primeira grande inspiração para entrar na fotografia, eu adoro a qualidade de mistério e medo em seu trabalho.

RISCO: Como você entrou em contato com a fotografia? O quanto ela é importante na sua vida nesse momento?

Kyle Thompson: Há um pouco mais de um ano, um amigo e eu começamos a freqüentar casas abandonadas com a câmera dos pais dele, e nós nos revezávamos tirando fotos da casa, um do outro, etc. Eu eventualmente comprei minha própria câmera e achei mais fácil encontrar tempo para tirar fotos sozinho ao invés de acompanhado por outras pessoas. Fotografia tem, basicamente, consumido minha vida agora. É praticamente a única coisa que eu faço e sobre a qual eu penso.

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RISCO: As melhores ideias para fotos vêm quando você está dormindo ou quando você está bem acordado?

Kyle Thompson: Normalmente quando estou acordado. Eu raramente lembro meus sonhos, de qualquer maneira.

RISCO: Os cenários das suas fotos são tão instigantes quanto o resultado final. Como você acha que a disponibilidade de lugares vazios e em ruínas e também de uma floresta nos arredores reflete nas novas ideias que você tem.

Kyle Thompson: Eu acredito que os locais a minha volta tem um grande papel nas ideias e conceitos que eu uso para as fotos. Às vezes eu posso ver um local e instantaneamente imaginar um conceito que caberia perfeitamente nele. Tenho certeza que se eu tivesse arredores diferentes conseguiria encontrar conceitos que coubessem nessas situações igualmente.

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RISCO: Há algum local diferente onde você gostaria de poder fotografar?

Kyle Thompson: Eu adoraria tirar fotos numa metrópole ou cidade abandonada, montanhas, o deserto. Basicamente qualquer coisa que não esteja disponível onde vivo atualmente.

RISCO: Eu nunca pediria ao mágico que revelasse seus truques. Entretanto, algumas das suas imagens como aquelas em que você coloca objetos a sua volta em chamas são de certa forma chocantes. Conte-nos a respeito. Como é o processo de criar essas imagens?

Kyle Thompson: Eu uso diferentes truques em diferentes fotos. Para uma foto em que eu tinha um tecido preto em chamas em volta da minha cabeça, eu tive que fazer uma falsa cabeça, inteira de papel machê. Também descobri que era mais seguro fazer uma chama grande que durasse apenas alguns segundos - apenas o suficiente para tirar a foto.

RISCO: Por mais impressionante que sejam as cenas de ação que você cria, também há uma série de criações profundamente sensíveis, onde o clima é leve, e asas, páginas de livros, balões vermelhos, objetos voadores e pessoas voando surgem. Existe uma história por trás das cenas? Uma história que não pode ser escrita, mas que você pode contar através de imagens?

Kyle Thompson: Sim, eu tenho inspirações diferentes para cada foto. Algumas fotos são inteiramente inspiradas por emoções, enquanto outras são por histórias, ou conceitos abstratos. Eu adoro criar histórias surreais e incomuns através de imagens que parecem impossíveis.

Para ver a entrevista em inglês na íntegra, você pode acessar o pensamentos inevitáveis.

Se você ficou curioso e quer ver mais do trabalho desse incrível fotógrafo, esse é seu site. Ele também possui um flickr, constantemente atualizado e uma página no Facebook.

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Mariana Martins

Flanêur, escritora, observadora, mochileira, arquiteta-urbanista pela FAU USP. Paulista e Paulistana - com muito orgulho -, com um pezinho na cidade do Porto, Portugal de onde tem muitas saudades. Twitta no le_papillon_m..
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