risco

"Prefiro a poesia. Um risco, um rabisco. E, depois disso, a eternidade."

Mariana Martins

Flanêur, escritora, observadora, mochileira, arquiteta-urbanista pela FAU USP. Paulista e Paulistana - com muito orgulho -, com um pezinho na cidade do Porto, Portugal de onde tem muitas saudades. Twitta no le_papillon_m.

Funkeiro com orgulho

porque o funk carioca merece respeito


Dia 15 de agosto, no trending topics do twitter, para minha surpresa, estava #SouFunkeiroComOrgulho. Alguns estavam twitando muito felizes com isso, outros nem tanto.

mc_crew.jpg Mc Crew

Alguns pensarão, devido a meu último artigo sobre música que me posicionarei contra o funk e que serei irracionalmente adversa a essa "música sem qualidade". Bom… não será bem assim.

É inconcebível aceitar como música de qualidade e manifestação cultural o "ai se eu te pego". O funk, entretanto, é uma manifestação cultural mais que reconhecida. Contraditório? Nem tanto.

O funk vem do morro, da favela. Vem de uma tradição que a maioria das pessoas desconhece e sai, sim, do popular, no sentido mais direto da palavra: aquilo que vem do povo. O funk carioca, motivo de orgulho, como dito acima, por muitos, vem diretamente de influências americanas do Soul, shaft, black, e funk. Na década de 1970 já se iniciava essa cultura, mas ela se intensifica na década de 1980 com o surgimento na Flórida do Miami Bass - um ritmo de batidas mais rápidas e um tom mais pesado de erotismo. Djs brasileiros começaram a adotar as batidas do Miami Bass e adaptar o som que vinha do exterior, fazendo versões das músicas estrangeiras.

um dos primeiros funks cariocas, Feira de Acari

O funk ganhou força como movimento quando começou a falar da realidade das favelas. Tudo aquilo que se relaciona diretamente à vida das pessoas, e que se insere como forma de apelo da sociedade por uma outra condição de vida, rapidamente atinge um número muito grande de indivíduos e, algumas vezes, comunidades inteiras. O que ocorreu hoje, com o trending topics do twitter apenas demonstra o poder que possui uma comunidade que se une. Seja para qualquer assunto. Para requisitar direitos, para denunciar abusos, para exigir mudanças e, por que não, para demonstrar orgulho de sua cultura.

dj-malboro.jpg Dj Malboro, um dos primeiros a brincar com o estilo musical

Para quem duvida da qualidade do funk carioca, prestem atenção na quantidade de pessoas atingidas pelo movimento. Não se trata de uma única música que fica famosa, se trata de um estilo musical que conseguiu descer os morros e atingir pessoas que não estavam na mesma condição social dos que produzem esse tipo de música. Qualidade nem sempre é definida pela complexidade ou beleza. Se fosse isso, a Arte se resumiria ao que é belo, o que não é verdade. Mais importante do que isso, a Arte move as pessoas. Assim, seja bonito ou feio o que se canta no funk, sejam muito ou pouco complexos os arranjos, é certamente, antes de tudo, uma autêntica manifestação popular que deve ser preservada e defendida. Absurdo? Pode ser… mas até Tom Zé concorda comigo.

nesse vídeo, em entrevista a Jô Soares, Tom Zé dá uma brilhante explicação sobre o Funk "Atoladinha" e uma aula de música nada puritana


Mariana Martins

Flanêur, escritora, observadora, mochileira, arquiteta-urbanista pela FAU USP. Paulista e Paulistana - com muito orgulho -, com um pezinho na cidade do Porto, Portugal de onde tem muitas saudades. Twitta no le_papillon_m..
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