risco

"Prefiro a poesia. Um risco, um rabisco. E, depois disso, a eternidade."

Mariana Martins

Flanêur, escritora, observadora, mochileira, arquiteta-urbanista pela FAU USP. Paulista e Paulistana - com muito orgulho -, com um pezinho na cidade do Porto, Portugal de onde tem muitas saudades. Twitta no le_papillon_m.

Viagem à Lua

Em 1902 o cinema já fazia aquilo que a ciência só seria capaz de reproduzir mais de 60 anos depois.


Criatividade é certamente a característica principal desse homem: Georges Méliès foi, muito antes da Disney ou os estúdios Universal serem sequer concebíveis, um inventor. Ele propôs-se a traduzir ideias em imagens, histórias em cinema.

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De 1902 destaca-se a interessantíssima e muito peculiar película: Le Voyage dans la Lune - Viagem à lua, com roteiro e direção de Méliès. Particularmente, já havia notado certa semelhança do roteiro com Da Terra à Lua, romance de Júlio Verne, criador de outros universos fantásticos, por sua vez na literatura. Recentemente descobri, entretanto, que há também influência do texto de H. G. Wells, Os Primeiros Homens na Lua. A sequência tem uma enorme diversidade de situações absurdas. A primeira delas, a discussão dos astrônomos - que mais parecem um grupo de magos - discutindo as possibilidades de se chegar à lua e qual o melhor plano para alcançar seus objetivos. Traçada a forma ideal, vamos à cena do foguete. Parecendo uma bala de revólver em tamanho gigante, abriga os cinco astrônomos que seriam lançados em direção ao corpo celeste.

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Neste momento, deve-se reparar nos efeitos especiais. Muito longe dos artifícios computadorizados atuais, o filme mistura-se ao desenho animado. Surge a célebre cena da bala - foquete - fincando no olho da Lua - sim, a lua é nesse momento personificada na forma humana.

melies_viagem_a_lua_1.jpg

Depois disso, o espectador diverte-se com a figura dos alienígenas que explodem toda vez que acertados pelo guarda-chuva de um dos astrônomos, como se fossem bexigas. Praticamente expulsos da lua por seus habitantes, os astrônomos conseguem voltar para a terra dependurando-se de um penhasco, de onde o foguete cai - admitindo-se uma aceleração da gravidade muito particular e errada - em direção à Terra.

Merece ser assistido. Estando na lista dos 1001 filmes que devem ser assistidos antes de morrer, Viagem à Lua é o mais antigo de todos os listados. Uma obra prima pela engenhosidade com que se aproveitou os poucos recursos existentes naquele momento. Hoje, tendo sua licença expirado, sua apresentação é de domínio público. Aproveitem!


Mariana Martins

Flanêur, escritora, observadora, mochileira, arquiteta-urbanista pela FAU USP. Paulista e Paulistana - com muito orgulho -, com um pezinho na cidade do Porto, Portugal de onde tem muitas saudades. Twitta no le_papillon_m..
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