rotatória.

É importante girar a perspectiva.

Frederico Sabino

Campo de visão. Divisão do campo.

O espírito jovem e os deuses modernos.

É de inclinação e impulso que estamos falando aqui...


O espírito jovem é a aventura encarnada. O ímpeto à descoberta, em meio a sociedade que nos conduz. Para os jovens, o mundo está em constante atraso. O século 21 - marcado por evoluções e mudança das relações humanas-, divide seres nascidos antes e depois da internet; e estes são seres distintos.

Jovens são transgênicos em sua natureza. Jovens modernos, da geração de 1990, tiveram sua percepção gratinada pela globalização. É de se admirar alguém dizer que um adolescente é bipolar, ou portador de D.D.A. (Isso é inevitável)

Mas o que exatamente pretende o espirito jovem? Onde é o paraíso?

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A sociedade educa desde o alfabeto ao jeito de andar. Disciplina e organização social - como frisa Michel Foucault - moldam estilos, tendências e posturas ideológicas e sociais. E como é ‘dar ordens’ a um eximo espirito transgressor? Dizer a uma criança que não coloque o dedo na tomada, é transformar a tomada no fruto proibido de Adão e Eva.

Planeta terra. Mundo sangrento. Selvagem. Repressor e ditador. Época de boom econômico e macrocefalia da informação. Seres predestinados a viver uma vida moldada e constituída pelo estado Pai, onde para ser aceito, você deve ser assim e assado e cuzido.

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Postura. Ideologia. Atitude. São conceitos sagrados. A juventude se relaciona em rituais impenetráveis com códigos próprios. Gírias, manias, expressões e gostos, compartilhados em um linguajar único e indenitário. Cria-se um ambiente de pertencimento. De troca de experiências e sensações. Os jovens se entendem.

Nascidos em meio a ruptura de pensamentos e quebra de ditaduras; a expressão ‘’liberdade’’ ganha as eleições de forma unânime no ideal jovem moderno. Este, que nasce em um mundo dividido, faz o reconhecimento de um terreno marcado pelo pensamento capitalista. O jovem é desde cedo, estigmatizado por um ideal, que dê sentido a sua existência, já que não encontramos nada além de desigualdades e contradições pelas esquinas.

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Sim meu caro - e neste ponto eu entro na rodinha dos jovens! -; o mundo se tornou um cativeiro. Trabalhamos e despencamos gastos de energia, obrigados a ter dinheiro; pois não há água e comida que venha até o prato por livre e espontânea vontade. O mundo cresce. Encarece. A população que até 1920 era de 1 bilhão, hoje beira 8 bilhões. A competição se instala e a liberdade parnasiana se distancia da realidade. Vivemos aos moldes da sociedade capitalista.

É neste ponto que o espirito jovem - já conturbado -, resolve assombrar as regras e moldes sociais. É neste degrau da escada que o jovem decide burlar a regra e pular o corrimão. É no que vai contra a própria liberdade, que a juventude finca garras e dentes em prol de alternativas: Drogas. Tecnologias. Agressividade. Rebeldia. Depressão. Surtos emocionais. Futilidade.

Estariam os jovens tão incoerentes assim?

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Hoje você nasce, estuda, estuda, estuda, e ouve que deve ser o melhor. Ao se formar, você trabalha, trabalha, estuda, e ouve que deve ser o melhor. Você vive em uma cidade regrada a dinheiro. É o velho oeste atual, onde a pistola é a conta bancária. Somos seduzidos pela mídia e seus decretos sobre realização pessoal e felicidade. Entendemos o progresso material como ponte para felicidade. Nos moldamos individualistas, porque queremos atravessar a ponte. Somos direcionados a um troféu indivisível, que afunila a percepção. Somos egoístas, educados ao egoísmo.

Desde a falta de interesse em atrair atenção dos jovens nas escolas, até os métodos de leitura impostos a seres acostumados com smartphones e tabletes; passando pela mudança estrutural dos lares – onde pai e mãe trabalham e são ausentes –; estamos diante de uma geração sem rumo. Sem causa social, histórica, ou existencial.

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No fim da guerra fria os E.U.A. precisava de uma arma perfeita para ferir a Rússia, e, elaborando seu cavalo de Tróia, criou então a cultura Pop. O pop conseguiu penetrar a U.R.S.S. como o cheiro da comida que vem por debaixo da porta. A descoberta de um estilo de vida ‘’coloriodo’’, excitou jovens russos a buscar a tão libertária liberdade americana – do culto a vida e aos festejos do espírito. E foi assim que a Rússia explodiu de dentro para fora. A União Soviética faliu, uma vez que seu ideal ‘’fugiu’’ aos interesses de seus jovens, contaminados pela ‘vida bacana’ americana. Filmes como Wall Street, introduziam ao mundo valores nunca antes vistos. É a estufa da ganância.

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A realização é financeira. E parece só existir esta forma de sobreviver. Mas como engaiolar um espírito? Como aprisionar um nômade? Como fazer seu filho não ser seduzido pela ‘tomada proibida’? É pecaminosa a hipótese de não ser inadequado em um mundo depravado. E no romantismo jovem, a revolta é angelical. Na percepção de um jovem - existe uma ruptura que divide a auto realização, da realização para a sociedade.

No labirinto das emoções, sonhos, planos e desejos, o jovem lutará (ou não), para manter acesa a chama que ilumina sua vida. O ímpeto jovem é como a cólera, uma vez que tentem apagar sua chama.

O jovem quer pertencer a si. Quer enxergar menos contradições no mundo. Menos insensibilidade. Mais sentimento. Mais humanidade. O jovem de verdade - o espírito jovem -, não suporta o mundo como está, e não o aceita como é. A salvação é que surjam verdadeiros jovens conscientes.

--- E você, o que acha disso ? ---

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Frederico Sabino

Campo de visão. Divisão do campo. .
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