sala de cultura

Comportamento e arte

Tania Azevedo Garcia

Psicóloga, professora universitária, apaixonada por cinema.

A viagem de minha vida

Viajar é, talvez, a experiência mais rica que alguém pode ter. Especialmente quando se visita um lugar mágico, cheio de história e de inspiração.


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Viajar para mim é a melhor das experiências. Especialmente quando você decide ir a um lugar que sempre fez parte de suas fantasias.

Conhecer Jerusalém sempre foi um sonho. Não sei bem os motivos. Nunca fui uma pessoa religiosa, mas a questão da fé sempre me intrigou.

Ao descer no aeroporto de Israel resolvi tirar uma foto antes de entrar na sala de desembarque e nem percebi que não poderia ficar parada ali. O segurança que acompanhava os passageiros até a área de desembarque esperou pacientemente e até esboçou um leve sorriso, discreto, sutil. Como se estivesse compreendendo a minha emoção e felicidade de posar em terras israelenses.

Tel Aviv, meu Deus! Eu estava ali. A minha atitude, postura e sentimento eram quase infantis.

Aquele foi apenas o primeiro instante de muitas e intensas emoções que eu teria por alguns dias. Nenhuma outra viagem despertou em mim tanta magia, inspiração e alegria. É uma sensação inexplicável.

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Andar pelo emaranhado das ruas de Jerusalém, por aqueles lugares tão antigos, tão cheio de história e também de conflitos era como se eu tivesse entrado num conto de fadas. Era uma sensação de reconhecer aqueles lugares como se já fizessem parte de minha própria história.

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Conheci templos cristãos, mulçumanos e judaicos. Os nativos eram facilmente identificados: vestimentas, lenços, hijab, Kipá. Mas eu buscava algo que transcendesse a observação turística. Eu queria sentir algo que pudesse explicar a fé e a crença em um Ser superior.

Sentada num bar, com minha filha, a qual eu nunca dei uma educação religiosa, veio-me a inspiração para falar algo sobre Deus. Naquele dia, havíamos visitado o Monte das Oliveiras, a igreja do Pai Nosso - onde Jesus teria ensinado a seus discípulos a oração, conhecido e conversado com alguns palestinos no bairro mulçumano.

Luiza, estou muito feliz e emocionada por conhecer Jerusalém, mas nenhum templo me inspirou a fé que a maioria das pessoas relatam sentir nesse lugar. Minha sensação é de que não existe templo fora de nós. Ele está dentro das pessoas. A alegria, generosidade, tristeza e acolhimento com que aqueles palestinos que conhecemos hoje nos receberam são a ilustração da minha crença. É assim que se demonstra algum sentimento de fé na humanidade. Através do espírito de unidade, compreensão e de amor pelo outro. Não essa fé que envolve política, território, economia e que muitas vezes sucumbe em conflitos e fundamentalismo”.

Mesmo assim, acho, sim, que aquele lugar tem algo mágico, que ainda não sei decifrar. Será que é por que estaríamos realmente mais perto de Deus? Não sei a resposta. Só sei que quero muito voltar lá.

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Tania Azevedo Garcia

Psicóloga, professora universitária, apaixonada por cinema..
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