salada cultural

Misturando cinema, história e música para ver no que dá.

Matheus Bastos

Jornalista e historiador. Interessado nas relações entre jornalismo, mídia, cinema, música e história nos diversos tempos e momentos. Cultura, política, filosofia e seus contextos sociais.

Super Homem, Forest Gump e Mickey Mouse Em Cima Do Muro.

Após o termino da Segunda Guerra Mundial o mundo ficou divido entre os Estados Unidos e a União Soviética,
já que muitos dos países da Europa, como França e Inglaterra, estavam decadentes devido a guerra e buscando
se restabelecer. Ao mesmo tempo cresciam cada vez mais as produções cinematográficas de Hollywood, e com
isso elas começaram a tomar um novo aspecto e adquirindo cada vez mais um novo valor na vida e na mente das
pessoas.


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Com a nova realidade mundial muitos países, como Cuba, acabaram cedendo a União Soviética e suas idéias de comunismo. Assim, com medo de perder território geográfico e ideológico, o Estados Unidos começou várias campanhas de incentivo cultural ao nacionalismo e a xenofobia. Pode-se observar isso em vários veículos de circulação de informação e cultura como na TV, rádio, jornais, e é justamente nessa época que os super heróis e as HQ's ganham maior proporção, buscando mostrar a sua superioridade e o nacionalismo norte-americana( ou vocês achavam que o Super Homem tinha as cores da bandeira dos EUA atoa?).

É claro que toda essa influencia não ficou de fora no cinema. As produções Hollywoodianas, por incentivo do estado, cada vez mais geravam filmes onde os personagens americanos eram superiores aos demais, com muitos filmes de guerra como “Top Gun” (1986) e “Rambo: Programado para Matar” (1982) onde os americanos eram super soldados, que lutavam pelo seu país e/ou contra o lobo mau estrangeiro que ameaça a paz sagrada da América.

rambo-3-image.jpg Rambo foi inspirado no romance de 1972 "First Blood", escrito por David Morrel.

A guerra do Vietnã, principal combate proveniente da Guerra Fria, foi muitas vezes representado no cinema em filmes como “Apocalypse Now” (1979), “O Franco Atirador “(1978), “Platoon” (1986) e diversos outros, que buscavam, em alguns casos, recontar a história de uma forma mais gloriosa e vitoriosa. Nos que permaneciam fiéis no que aconteceu de fato aconteceu, buscava-se mostrar o drama dos jovens americanos que estavam distantes de casa lutando pelo seu país contra “monstros” orientais. O filme “Forest Gump” de 1994 também dramatizou e satirizou esse período.

Platoon-platoon-29158185-490-510.jpg Johnny Depp em Platoon (1986).

Existem também aqueles filmes que foram inspirados pela temática da Guerra Fria e sua tensão, apelando assim para o sensacionalismo e o assunto do momento, tais como o filme “Star Wars” (1977) ou Guerra nas Estrelas, produzido por George Lucas, onde demonstrava um universo futurístico (mesmo que na entrada apareça escrito “a muitos e muitos anos atrás”) repleto de guerras, opressão e disputas.

Isso tudo fazia uma alusão (até mesmo no título) a corrida espacial, os programas espacias desenvolvidos tanto pelo Estados Unidos quanto pela União Soviética, e a chegada do homem a lua em 1969 pelos Estados Unidos, o que contou com um ponto a mais para os Estados Unidos na disputa (mesmo que muitos até hoje desconfiem da veracidade desse fato). Podemos citar também “O Dia Que A Terra Parou” ( 1951), que narrava a visita de um alienígena à terra e o seu apelo para a paz entre os povos do planeta, uma clara referencia e desejo do fim da Guerra Fria.

starwars2.jpg Harrison Ford em Star Wars IV(I), no papel de Han Solo.

Em “Rocky IV” de 1985 talvez se observe o melhor exemplo da influencia da Guerra Fria no cinema. Rocky após conquistar o título mundial enfrenta um novo desafio: Ivan Drago, lutador vindo da União Soviética ( coincidência?). Nesse filme além de notar-se a superioridade americana os elementos de nacionalismo já citados são gritantes na tela, já que dessa vez no poster do filme Rocky aparece enrolado na bandeira dos Estados Unidos e até mesmo seu calção tem a bandeira estampada. Já Ivan Drago tem a foice e o machado do comunismo estampados no seu, fazendo assim uma completa dualidade e rivalidade entre os personagens.

Podemos pereceber também ao longo do filme um aspecto politico, já que o protagonista Rocky é de descendência e etnia italiana(The Italian Stallion), dessa forma coloca-se um ponto final contra qualquer rivalidade com a Itália,a qual lutou ao lado da Alemanha na Segunda Guerra Mundial, afinal a ameaça agora é outra: a União Soviética.

rocky_iv_fr.jpg Pôster do filme Rocky IV.

Existe também o outro lado, que pode ser visto em filmes que retrataram o período de forma diferente, como o filme “Adeus, Lenin!” (2003), que apresenta a Alemanha dividia pelo muro de Berlim, e aborda o outro lado da história, onde aqueles que apoiavam o comunismo temiam que o capitalismo derrubasse o muro e dominasse toda Berlim. Afinal era justamente em Berlim onde era marcado a divisão do mundo ao meio, através do muro, de um lado os Estados Unidos da América, os “escolhidos” com seu American Way Of Life, seus heróis e soldados de guerra e do outro lado o sombrio e misterioso comunismo.

O muro de Berlim só cairia em 1989, dessa forma marcando o fim da Guerra Fria. Hoje em dia Mickey Mouse já pode ir em Moscou a vontade(ou não). Mas uma coisa deu muito certo e se vê nos filmes de Hollywood até hoje: a facilidade com qual os filmes conseguem transmitir o nacionalismo e a superioridade norte-americana. Você pode ver isso até hoje nos filmes, de forma mais sutil é claro, como em “Eu Sou a Lenda”(2007) onde cabe ao protagonista Will Smith, americano e militar, salvar todo o mundo.

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Matheus Bastos

Jornalista e historiador. Interessado nas relações entre jornalismo, mídia, cinema, música e história nos diversos tempos e momentos. Cultura, política, filosofia e seus contextos sociais. .
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