salada cultural

Misturando cinema, história e música para ver no que dá.

Matheus Bastos

Jornalista e historiador. Interessado nas relações entre jornalismo, mídia, cinema, música e história nos diversos tempos e momentos. Cultura, política, filosofia e seus contextos sociais.

Turn Blue: Um álbum sem propaganda enganosa no título.

Turn Blue é o mais novo álbum da banda de blues rock The Black Keys, que é considerada por muitos um dos últimos suspiros do rock clássico. O álbum é sucessor do El Camino, álbum lançado em 2011 e que foi a confirmação de sucesso da banda. Sendo elogiado pela crítica, pelos ouvintes e faturando três grammys: um por melhor disco de rock do ano, por melhor performance e música de rock pela faixa Lonely Boy. Mas será que no seu novo álbum a banda consegue manter o nível e o status de "as novas caras do rock clássico", sem cair na maldição do álbum que sucede o sucesso?


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Nesse novo álbum a banda traz algo engraçado: ao mesmo tempo que é inovador parece o que banda já vinha fazendo. A primeira impressão que você tem ao ouvir Turn Blue é “esses caras estão ouvindo muito Pink Floyd”. Este é com certeza o álbum mais progressivo da banda, não que isso seja uma coisa ruim, mas vamos por partes.

O disco já começa explodindo a cabeça de quem ouve com a mortífera “Weight Of Love”, que chama atenção por ter seis minutos e cinquenta duração (coisa inédita para a banda). A faixa mistura tudo: blues, rock progressivo, rock clássico e tudo mais que eles conseguiram, mas o que se destaca é o progressivismo da faixa. Por alguns segundos durante a introdução me perguntei se o que eu estava ouvindo era Tame Impala. O efeito de guitarra e as viradas compassadas de bateria deixam uma grande sensação de grandiosidade.

Quando a faixa de fato começa e Dan Aubarch começa a cantar entra a vibe “Little Black Submarines” do disco anterior, mas o grande atrativo da faixa é realmente o estilo progressivista que encaixou bem com estilo. Destaque imenso para os solos de guitarra simultâneos que são simplesmente de arrepiar, não existem palavras para descrever. Tudo parece perfeito certo? Mas ai eu me perguntei “por quê uma faixa tão melancólica como essa esta no inicio do disco?”.

A faixa seguinte, “ In Time”, vem naquela dinâmica tradicional da banda, riffs e um refrão colante. Aqui também começamos a perceber o excesso de efeitos eletrónicos nas músicas. Já a faixa 3 “Turn Blue” é realmente pra fazer isso: ficar tristinho, é um bluesinho bacana.

Na seqüência vem a frustrante “Fever”, não que ela seja ruim( mas ela é) a questão toda é: que megalomania é essa com efeitos? A música tem um riffzinho de teclado que a faz parecer trilha sonora de vídeo games antigos. É com certeza a faixa mais eletrônica do álbum e da carreira da banda. No final da faixa entra um efeito phaser na música, e ai você já pode se imaginar na balada eletrônica dançando David Guet... quero dizer The Black Keys.

10339360_10152439712820309_1130545321941515713_o.jpg As faixas que se senguem são tecnicamente boas, mas de nenhuma forma marcante. Dessa forma logo após ouvi-las você acaba esquecendo do que ouviu, não provocando assim nenhum sentimento de repetição ou afinidade pelas músicas como “essa é aquela música que tem aquele solo legal” ou “ aquele reFrão marcante” que você pega cantando. As únicas que talvez fujam(raspando) do padrão e é possível criar certa afinidade após as já citadas é “Bullet In The Brain” e “In Our Prime”, principalmente esta ultima, que podem ser consideradas legais, mas nada demais.

A última observação, assim como já fiz para a quantidade de efeitos digitais, seria alta presença do teclado, que agora faz riffs e até mesmo solos, e para o não aparecimento da bateria de Patrick Carney. A maior parte do tempo do disco Patrick só marca nas músicas ou então faz coisas simples, o que é uma pena levando em consideração a capacidade que ele possui nos álbuns anteriores. Isso demostra o quanto mais produzido e comercial o álbum está, vale lembrar que Dan Aubarch está produzindo também o disco da cantora Lana Del Rey que tem previsão de sair esse ano também, tirem suas conclusões.

No fim Turn Blue é um álbum quem tenta inovar, procurando sair da mesmice e se afastar daquele estigma de ser cópia do White Stripes, dualizando inclusive na questão de Whites Stripes ter um dedo no punk e eles agora trazerem algo mais progressivo(até na capa), mas que falha no caminho. Apresentando muitas coisas boas como já citadas e te deixando esperançoso com seu bom inicio, mas que as poucos vai perdendo força e morrer lá pela metade do álbum, fazendo assim com que rapidamente o ouvinte se enjoei do álbum e dessa forma fazendo jus ao nome, e te deixando triste, uma pena.


Matheus Bastos

Jornalista e historiador. Interessado nas relações entre jornalismo, mídia, cinema, música e história nos diversos tempos e momentos. Cultura, política, filosofia e seus contextos sociais. .
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