salada cultural

Misturando cinema, história e música para ver no que dá.

Matheus Bastos

Jornalista e historiador. Interessado nas relações entre jornalismo, mídia, cinema, música e história nos diversos tempos e momentos. Cultura, política, filosofia e seus contextos sociais.

Spike Jonze: o homem e a carreira por trás de "Ela"

"Ela" foi um verdadeiro sucesso, mas não foi do nada que Spike Jonze surgiu para dirigi-lo, vamos ver algumas outras obras da carreira do diretor.


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Spike Jonze é um sujeito de muitas facetas, por isso o autor deste artigo tem uma grande admiração por ele (e você vai concordar comigo até o final deste). O diretor está passando pelo seu “boom” atualmente após o lançamento de “Ela”, que agradou tanto aos gregos (público), como troianos (a crítica e academia). Vencedor do oscar em 2014 pelo melhor roteiro original, “Ela” fez com que os que ainda não conheciam o trabalho do diretor se encantassem pela história do homem que se apaixona pela máquina.

Em “I'm Here”, curta metragem que tem a assinatura de Spike como diretor, o que vemos é a paixão de uma máquina por outra máquina. Em um mundo onde as pessoas estão cada vez mais ligadas a tecnologia (e menos as outras pessoas), Spike Jonze brinca na tela com esses elementos. Modernidade, capitalismo, preconceitos, blasé, solidão... são parte dos elementos que são sutilmente abordados na trama do filme, fazendo você ter uma grande identificação com o mesmo.

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O enredo conta a história de Sheldon, um robô que é totalmente solitário, até um dia cruzar com Francesca, uma robô que chama atenção de Sheldon por aparecer ma frente dele dirigindo, coisa que segundo a realidade do filme é algo proibido para os robôs. Essa sutiliza e outras, tais como força do amor que os robôs sentem um pelo outro (chegando a pontos extremos), fazem de “I,m Here” um curta melhor do que muitos longas.

E pra quem acha que só de lindos sentimentos vive a carreira de Spike, ele também foi criador e produtor do polemico programa “Jackass”, e quem conhece (será que alguem não conhece?) sabe que é bem diferente dos filmes citados até aqui.

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Jonze também dirigiu o duvidoso “Onde Vivem os Monstros”, baseado no livro infantil de mesmo nome escrito por Maurice Sendak, que apesar de ter sido criticado por uma considerável parcela, mas que demonstra muito bem sentimentos que são recorrentes durante a infância, sem comentar que transformar um livro de 21 páginas em um longa de 101 minutos não é uma tarefa fácil.

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Além disso, Jonze já dirigiu diversos filmes que tem o skate como ator principal, tendo 8 filmes do gênero. Também como muitos (muitos mesmo) clipes de diversas bandas dirigidos pelo mesmo, mercado esse que geralmente não é lembrado ao se pensar em direção, mas onde Spike faz a diferença. Entre os artistas que tem clipes dirigidos por ele temos Foo Fighters, Sonic Youth, Weezer, R.E.M, Daft Punk, Arcade Fire, Björk e até mesmo Notorious B.I.G, dentre outros.

Depois de tudo isso percebemos porque Spike Jonze pode ser considerado um cara de muitas facetas e ótimo diretor, não como um Tarantino da vida, mas sim da sua própria maneira alternativa de ser, atuando nas mais diversas mídias e fazendo coisas bem diferentes uma das outras, e geralmente usando uma sutileza que não busca abraçar o mundo com os braços (erro muito comum dos filmes de hoje em dia). Fica a minha singela homenagem, e se você só o conhecia por “Ela” vale a pena conferir outros trabalhos tais como sitados aqui.

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Matheus Bastos

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