sandrasalomeseraphine

$$$: Quero ser a precursora da Lolita !

SandraSalomeSeraphine

Serenamente aguardo-A, é o fogo que a embeleza

J.S. Lowry: o pintor do Matchstalk Men and Matchstalk Cats and Dogs

J.S. Lowry: Pintor modernista inglês, que talvez por ser mais recente (século XX), não tem tanta visibilidade no panorama artístico global. A sua vida pessoal tem as suas particularidades mas a profissional supera-a em larga escala. Na galeria com o seu nome, vigora a sua obra (contudo, nem sempre bem tratada). Enfim, conheça-se a obra pois é por ela que este artista engrandece.


"If people call me a Sunday painter, I'm a Sunday painter who paints every day of the week!" – L.S. Lowry

Portrait of LSL 1.jpg Portrait of LSL 1

Lawrence Stephen Lowry, conhecido como L.S. Lowry, (1887-1976) foi um pintor modernista inglês. O seu percurso biográfico e a sua obra artística, de facto, face a outros pintores do panorama artístico mundial, possuem menos visibilidade. L.S. Lowry apenas lhe viu ser reconhecido algum mérito e protagonismo aquando da morte de sua mãe, uma pianista que sucumbiu pouco tempo depois da morte do seu marido e pai de Lowry. Sua mãe sofreu de neurose e depressão contínua, tendo ficado de Lowry completamente dependente.

Nesse período, o tempo que Lowry possuía para se dedicar à pintura o delegou em prol da sua querida mãe. Quando o escasso tempo lhe permitia, o seu objecto de pintura recaía sobre auto-retratos assustadores, designados de “Horrible Heads” – que o aproximaram do expressionismo. Esta sua inspiração, é referido, pode advir de uma exposição levada a cabo por Vincent Van Gogh na Manchester Art Gallery. O próprio L.S. Lowry após as fulminantes mortes dos seus progenitores, deixou-se penetrar numa espiral depressiva, retirando a rara força anímica que ainda lhe pertencia.

A L.S. Lowry irritava-lhe quem o tomava por um pintor amador e ignorante. Por ser autodidata era visto com desconfiança, sendo menosprezado pelo público. Uma das coisas que mais o marcou, teve que ver com a afirmação de subvalorização da sua tia que diretamente o rebaixou: "Started when I was fifteen. Don't know why. Aunt said I was no good for anything else, so they might as well send me to Art School..."

Em 1905, começou por ter aulas à noite. Estudou na Manchester Academy of Fine Art e no Salford Royal Technical College em Peel Park.

Um dos seus professores, o francês Adolphe Valette, foi um dos grandes impulsionadores na vanguarda do impressionismo francês, na mutação da configuração das representações de paisagens e da cidade moderna. Além do professor, Lowry quem também admirou profundamente foram os pré-rafaelitas, entre eles Ford Madox Brown e Dante Gabriel Rossetti.

A Manufacturing Town by Laurence Stephen Lowry 1922.jpg A Manufacturing Town by Laurence Stephen Lowry

Quanto à sua obra, embora se assemelhe algo difusa, tem imprimida uma marca de originalidade inconfundível. Muitos dos seus desenhos e pinturas representam as paisagens de Salford, de Pendlebury, Manchester, Liverpool e Lancashire. As suas pinturas são famosas pelas cenas sombrias e industriais e pelas pequenas figuras que ocupam o espaço urbano. O céu reveste-se geralmente de cinza, derivado da poluição advinda fábricas.

An Industrial Town by Laurence Stephen Lowry 1944.jpgAn Industrial Town by Laurence Stephen Lowry

Ao fundo, indústrias com chaminés altas expelem fumo e à frente, pequenas figuras magras movimentam-se, apressadamente, cabisbaixas e perdidas no núcleo citadino. Estas esguias personagens estão quase sempre adornadas da mesma forma: casacos longos e chapéus, transmitindo a ideia de uma identidade comum,repetida e monótona. O termo que designa a configuração peculiar dessas figuras é Matchstalk Men, numa linguagem livre assemelha-se a “homens-fósforo” ou “homens-palito”.

Going to Work by Laurence Stephen Lowry 1943.jpg Going to Work by Laurence Stephen Lowry

Em 1978, como forma de tributo a L.S. Lowry, o duo Brien and Michael escreveu a canção Matchstalk Men and Matchstalk Cats and Dogs, que obteve sucesso junto da crítica e do público.

A simplicidade do pintor transparecia na sua obra artística, sendo que a sua palete era limitada a apenas cinco cores: "I am a simple man, and I use simple materials: ivory, black, vermilion (red), Prussian blue, yellow ochre, flake white and no medium (e.g. linseed oil). That's all I've ever used in my paintings. I like oils... I like a medium you can work into over a period of time". Ainda que L.S. Lowry declarasse que apenas desenhou e pintou aquilo que vislumbrava, a verdade é que ele compôs muitas das suas pinturas no seu estúdio, trabalhando a partir de esboços, da memória e da imaginação. Progressivamente, diminuiu o número de figuras nas suas representações. Entre elas encontram-se os retratos.

Portrait of Ann by Lawrence Shephen Lowry 1957.jpgPortrait of Ann by Lawrence Shephen Lowry

Boy in a Yellow Jacket by Laurence Stephen Lowry 1935.jpgBoy in a Yellow Jacket by Laurence Stephen Lowry

O inesperado sucesso alcançado não foi bem aceite por Lowry que, imerso no agrado geral, se viu a desmoronar e a alienar-se do que construíra até então. Nas suas palavras: “Had I not been lonely none of my works would have happened". A partir dessa fase, constrói em seus quadros cenários isolados e baldios, como paisagens desertas e marinhas. Porém, afirma que dessa forma se sente mais forte, mais próximo da sua essência: “I feel more strongly about these people than I ever did about the industrial scene. They are real people, sad people. I'm attracted to sadness and there are some very sad things. I feel like them."

Tanker.jpgTanker by Laurence Stephen Lowry

The Sea at Sunderland.jpgThe Sea at Sunderland by Laurence Stephen Lowry

De idade avançada e num desesperado gesto de quem aguarda uma futura sentença, questionou-se acerca da sua obra, legado: "Will I live?"

L.S. Lowry falece aos 88 anos, em 1976. Poucos meses antes apresentara na Royal Academy uma exposição retrospetiva da sua obra.

O Salford Museum and Art Gallery desde 1936 iniciou a coleção de trabalhos do artista, e gradualmente construiu a obra que está agora patente na instituição que personifica e homenageia o artista. The Lowry alberga a maior coleção pública de obras de L.S. Lowry do mundo. Com cerca de 400 artigos, entre os quais: pinturas a óleo, desenhos, pastéis e aguarelas.

No site, The Lowry apresenta-se como uma instituição sem fins lucrativos, sendo que todo o apoio estatal torna-se insuficiente face às despesas, por isso faz o convite a todos aqueles que possam doar uma qualquer quantia. Desta maneira, projetos de cariz artístico e de promoção das várias artes junto das crianças, dos jovens, dos adultos e dos idosos serão financiados e, logo, postos em ação. Surge também a necessidade de continuar a criar sinergias entre a galeria, os artistas nacionais e internacionais, numa cooperação que pretende ser durável e fortificada. Outra das possibilidades, e a que valida a preservação e aposta no conjunto de obras pertencente a L.S. Lowry, tem que ver com a Adopt a Lowry. De facto, uma boa parte da sua obra permanece ainda na incógnita, afastada da sua verdadeira função: a sua exposição ao público. É necessário “acarinhar” e apoiar obras que tendem, se nada for feito, a cair no esquecimento. Estas iniciativas não são as únicas, o site apresenta variadíssimas opções, para todos os gostos e para todas as carteiras. A Arte verdadeira e bela não deve nem pode ficar relegada num sufocante armazém. Cabe a cada pessoa fazer a diferença, pela Arte!

Mais informações e trabalhos do pintor L.S. Lowry podem ser visualizados nestas páginas: http://www.thelowry.com/ls-lowry/ http://www.bbc.co.uk/arts/yourpaintings/artists/laurence-stephen-lowry


SandraSalomeSeraphine

Serenamente aguardo-A, é o fogo que a embeleza.
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/// @destaque, @obvious //SandraSalomeSeraphine