Fellipe Torres

Jornalista, produtor editorial e fotógrafo. Mata um leão por dia na tentativa do ultra-humano.
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Pixaram no muro, mandei fazer um cartaz

Elaborados com tinta e pincel, letreiros populares comunicam, enfeitam, chamam a atenção. Tudo de maneira artesanal e relativamente barata se comparada às modernas sinalizações.


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No supermercado, a promoção de charque ponta de agulha e banana pacovan. Na esquina, a sinalização do borracheiro, do amolador de tesouras, do salão de beleza unissex. Na estrada, frases de parachoques de caminhão, indecisas entre o profano e o sagrado. Por toda a parte, os letreiros populares compõem paisagens urbanas, comunicam, enfeitam, chamam a atenção de fregueses. Tudo de maneira artesanal e relativamente barata se comparada às modernas sinalizações, criadas a partir das mais diversas tecnologias.

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Esse é o ganha-pão de Genivaldo Bispo dos Santos, 49 anos, morador de Petrolina, Sertão de Pernambuco. De pincel em uma mão e lata de tinta na outra, ele faz de tudo: fachadas de lojas, cartazes para restaurantes, faixas, maquetes de escola. Para ele, serviço bem feito significa estar sempre a postos para atender qualquer tipo de demanda, demonstrar capacidade de trabalho e, claro, ter caligrafia impecável. “Fiz cursos técnicos em química e desenho mecânico, mas larguei tudo para viver disso. Hoje sou um pintor polivalente. É uma atividade prazerosa e terapêutica”, diz.

Para Seu Genivaldo, como é conhecido, é o tipo de habilidade que se aprende sozinho e se aperfeiçoa com o tempo. É preciso ter um dom, explica ele, e usar sempre a criatividade. “Todo dia faço pelo menos uma faixa, mas em cada situação é uma redescoberta, é a oportunidade de encontrar novas soluções para comunicar a mensagem do cliente”. Há mais de 20 anos atuando como pintor, ele lamenta a perda de espaço para outras plataformas de comunicação visual. “É possível se sobressair realizando um bom trabalho, mas não sei até quando”.

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Essa é uma das muitas histórias identificadas pelos designers Fátima Finizola, Solange Coutinho e Damião Santana, que percorreram, além de Petrolina, os municípios de Recife, Gravatá, Caruaru, Arcoverde e Salgueiro. O levantamento durou cinco anos e resultou no livro Abridores de letras de Pernambuco: Um mapeamento da gráfica popular (Blucher, 144 páginas, R$ 50), que pode ser comprado aqui.

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* Texto concebido originalmente para o site do jornal Diario de Pernambuco


Fellipe Torres

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