Fellipe Torres

Jornalista, repórter de literatura, mata um leão por dia na tentativa do ultra-humano.
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O amor segundo Chico Buarque

Escondidas nas músicas do compositor carioca, eis 13 mentiras que contamos a nós mesmos em diferentes etapas de um relacionamento.


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São tantas e tão diversas as composições de Chico Buarque inspiradas no amor-romântico, que é possível, por meio de algumas delas, identificar as muitas falácias, ilusões ou mentiras nas quais teimamos em acreditar. Claro, o amor é cego, como todo mundo sabe. E nos deixa burros como uma porta. Quer ver?

1 - O amor é como uma grande aposta. O futuro é um mistério, e nele grandes paixões podem ou não se materializar. O envolvimento romântico é promissor e imprevisível.

Em "Teresinha", o primeiro pretendente é descartado porque "dá tudo", não nega nada, e por isso é muito previsível e chato. Na segunda ocasião, a personagem se submete a uma espécie de servidão, o que também não a agrada. Então por que o terceiro e último dá tão certo? Porque "não diz nada, não pergunta nada" e, assim, ela pode imaginar. Pois o desejo é uma demanda misteriosa.

2 - O amor está destinado a acontecer, e pode superar quaisquer obstáculos.

A mensagem passada é semelhante ao que já dizia Shakespeare no seu soneto 116:

"Oh, não, o amor é marca mais constante

Que enfrenta a tempestade e não balança,

É a estrela-guia dos barcos errantes,

Cujo valor lá no alto não se alcança.

O amor não é o bufão do Tempo, embora

Sua foice vá ceifando a face a fundo.

O amor não muda com o passar das horas,

Mas se sustenta até o final do mundo.

Se é engano meu, e assim provado for,

Nunca escrevi, ninguém jamais amou."

3 - Mesmo sem conhecer aquela pessoa que amamos, sabemos o quanto ela nos fará feliz.

Ou, como diria Fernando Pessoa:

"Porque quem ama nunca sabe o que ama

Nem sabe por que ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,

E a única inocência não pensar..."

4 - De tanto amar alguém, também seremos amados (ou pior, seremos os parceiros ideais)

5 - O verdadeiro amor é exclusivo

Na realidade, (para o bem ou para o mal) somos capazes, sim, de amar mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Há sempre aquele desejo pelo desconhecido, uma eterna vontade do inexplorado.

6 - A experiência de amar nos tornará felizes e satisfeitos

A verdade é que há uma espécie de insaciabilidade do desejo amoroso...

7 - Pode-se evitar o fim de um relacionamento impondo o controle

"Te perdoo por te trair".

8 - Posso evitar o fim do amor realizando, no último instante, todas as mudanças recusadas ou adiadas.

9 - Já que estamos no fim.... só mais uma vez! Vamos ter um último encontro, uma despedida...

10 - Não vou sobreviver sem a pessoa amada.

Freud explica: "Luto é guardar a pessoa amada dentro de si".

11 - Enfrentarei a separação sem mágoas, como um adulto civilizado

12 - Não voltarei a amar jamais!

"hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito.

Exijo respeito não sou mais um sonhador.

Chego a mudar de calçada quando aparece uma flor

e dou risada do grande amor

(Mentira)"

13 - Um dia nós nos reencontraremos...

* Artigo baseado em palestra do psicanalista Carlos Ferraz que assisti em 2011 e cujas anotações misteriosamente sobreviveram até hoje


Fellipe Torres

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