Fellipe Torres

Jornalista, repórter de literatura, mata um leão por dia na tentativa do ultra-humano.
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A maldição dos 20 e poucos anos

Cerca de 80% dos fatos mais significantes da vida ocorrem até os 35 anos (depois disso, prosseguimos ou corrigimos nossas escolhas). São experiências cuja importância não está bem clara enquanto acontecem, mas, acreditem, elas definem nosso futuro.


f1.jpg Tendemos a achar que, logo após a conclusão da faculdade, quando já saímos da casa de nossos pais, ocorre um surto de autocriação. Do dia para a noite, passamos ter definições bem claras a respeito do “mundo real”, de nosso futuro enquanto adultos. Mas nada disso corresponde à realidade, garante a psicóloga norte-americana Meg Jay, autora de “A idade decisiva”. Segundo ela, 80% dos fatos mais significantes da vida ocorrem até os 35 anos (depois disso, prosseguimos ou corrigimos nossas escolhas). São experiências cuja importância não está bem clara enquanto acontecem, mas, acreditem, elas definem nosso futuro. f4.gif Quanto a isso, há um problema grave na sociedade contemporânea. Alguém surgiu com a ideia de que os 30 são os novos 20 anos, como se essa década não importasse muito. E muita gente acreditou. Então tudo acontece mais tarde, em uma espécie de extensão da adolescência. Perde-se muito tempo. Erra-se mais. Tudo isso justamente quando é necessário se esforçar mais do que nunca. f3.jpg Claro, não é fácil ser um jovem de 20 e poucos anos. Vivemos em uma crise econômica seríssima, somos mais instruídos do que em qualquer época, mas poucos de nós encontramos (bons) empregos ao sair da universidade. Nos EUA, o desemprego atinge o recorde em décadas. Cerca de 25% dos jovens entre 20 e 30 anos não trabalha e outros 25% trabalha apenas meio expediente. Quem está empregado, ganha proporcionalmente menos do aqueles jovens da década de 1970. f7.gif O cenário é de muita incerteza e, por conseguinte, de muita ansiedade. Uma boa parte desses jovens adultos vão buscar se distrair e não pensar nos problemas. Um erro fatal. Sentar e esperar que a vida dê certo a partir dos 30 anos é um péssimo plano. A década a partir dos 20 anos é o chamado período crítico de desenvolvimento do indivíduo, uma janela de oportunidades durante as quais o aprendizado ocorre rapidamente. Depois, nada é tão fácil. f5.gif Portanto,os 20 anos são a época ideal para se desenvolver um capital de identidade, ou seja, um repertório de recursos individuais que inclui os investimentos em nós mesmos, as coisas que fazemos bem ou por muito tempo, boa parte do que está escrito em nossos currículos. Também há outra metade relacionada a aspectos pessoais, como quem somos, de onde falamos, como resolvemos problemas, qual a nossa aparência. f6.gif Aos jovens, é preciso ter inteligência emocional e desenvoltura emocional para perceber minúcias do que pode ser importante para o próprio caminho. Por exemplo, notar que, ao procurarmos empregos ou oportunidades, são as pessoas que menos conhecemos que serão as mais transformadoras. As novidades costumam vir de fora do nosso círculo de pessoas próximas, e não de nossos melhores amigos. Quanto mais soubermos como as coisas funcionam, mais nos sentiremos parte dela. f10.gif Em uma época em que as interações via Facebook distorcem nossa percepção da realidade, é importante ter cuidado ao fazer comparações, ter autoconhecimento e autoestima. Não sesubestimar ou superestimar, mas buscar o próprio potencial. g11.gif


Fellipe Torres

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