Fellipe Torres

Jornalista e produtor editorial, entusiasta de pintura e fotografia. Mata um leão por dia na tentativa do ultra-humano.
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O humor mudo de Gervasio Troche

Argentino radicado no Uruguai, Troche faz parte de uma nova geração de quadrinistas latino-americanos cujo trabalho é acompanhado com interesse no Brasil


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Um misto de delicadeza, humor e reflexão existencial paira sobre as tiras do cartunista Gervasio Troche. Argentino radicado no Uruguai, ele faz parte de uma nova geração de quadrinistas latino-americanos cujo trabalho é acompanhado com interesse no Brasil. Ilustrações sem texto – espécie de poesias gráficas – são publicadas há cinco anos na internet (portroche.blogspot.com) e agora foram reunidas em Desenhos invisíveis (Lote 42, 160 páginas, R$ 29,90).

Íntimo dos traços desde os 11 anos, o ilustrador começou a carreira com quadrinhos verborrágicos, mas passou a diminuir a quantidade de texto no fim da adolescência, de olho no trabalho de ídolos como Saul Steinberg (1913-1999). Aos 25 anos, chegou ao formato atual, o chamado “humor mudo”. Na combinação monocromática do nanquim com a página em branco, dá visão particular de temas universais, como amor, morte e solidão.

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“Um dos motivos que me levaram a fazer humor mudo é que tenho dificuldade com as palavras. Me expresso com os desenhos. E acredito que os quadrinhos se completam na cabeça das pessoas. Cada um recebe uma mensagem a partir do que vê”, explicou. Ao lado de Liniers, Kioskerman, Tute e Maco, o portenho renova a reputação argentina de bons quadrinistas, iniciada pelos veteranos Quino (criador da Mafalda) e Maitena, ambos em atividade até hoje.

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Você disse admirar Steinberg, Quino, Bosc, Kioskerman, Tute. Como eles contribuem com a sua maneira de se expressar?

Artistas como Steinberg e Quino me mostraram as possibilidades do humor mudo. Com poucos elementos, as obras deles expressam muito. Não considero que tenho tantas habilidades no desenho, mas isso jogou a favor, pois foi assim que acabei fazendo um estilo mais simples, sintético. Kioskerman me influenciou, pois vi que dava para fazer quadrinhos mais profundos.

Por que publicar em livro HQs da internet?

O livro é um objeto belíssimo. É algo tangível, em que as pessoas podem reservar outro tempo para ver os desenhos. Existe uma relação muito íntima entre a pessoa e o livro. E também no livro, os desenhos são impressos no papel, que é o mais parecido aos trabalhos originais — diferente de uma tela de computador.

Desenhar tirinhas tem função terapêutica? Como é seu processo criativo? Você pensa em texto ou em imagens? Sim, todas as artes têm efeito terapêutico. Penso em imagens. Geralmente o roteiro e o desenho aparecem juntos na mente

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Fellipe Torres

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