Fellipe Torres

Jornalista e produtor editorial, entusiasta de pintura e fotografia. Mata um leão por dia na tentativa do ultra-humano.
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Como um monge do século 16 mudou os rumos do catolicismo

Martinho Lutero (1483-1546) comandou uma reforma de grande repercussão teológica, ideológica, histórica e política, haja vista suas implicações sociais, comportamentais, artísticas, educacionais.

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Martinho Lutero (1483-1546) foi um monge agostiniano que se tornou uma das figuras centrais da Reforma Protestante, no século XVI, quando os dogmas do catolicismo romano foram severamente questionados. As teses de Lutero concentravam-se na fé de cada pessoa, de modo que subvertia a organização da religião cristã à época, e se contrapunha ao papado. No momento em que decidiu traduzir a Bíblia para o alemão, por exemplo, Lutero colocou nas mãos dos fiéis a responsabilidade de interpretar as escrituras sagradas e decidir como deveriam praticar a própria crença. Adicionalmente, as exigências das instituições, em especial a Igreja Católica, deixavam de ser aceitas sem serem questionadas. Pelo contrário, a reforma de Lutero previa um “rompimento completo de parte da população com a Igreja romana e seus ditames (SELKE, BELLOS, 2017).

A reforma teve, segundo Lopes e Portella (2017), grande repercussão teológica, ideológica, histórica e política, haja vista suas implicações sociais, comportamentais, artísticas, educacionais etc. No texto A Liberdade de um Cristão, de 1520, Lutero classificou cada fiel como um “senhor livre”, colocando a fé no centro da cristandade. Ou seja, a salvação das pessoas ocorria pela fé em Deus, e não pelas ações que faziam, de modo que a venda de indulgências deixava de fazer sentido. De modo similar, ele defendia que todas as pessoas eram “ministros ou sacerdotes”, atuassem ou não dentro da igreja (sacerdócio universal).

As ideias de Lutero foram reforçadas por João Calvino (1509-1564), que afirmava que as pessoas estavam predestinadas a serem salvas por Deus, e “a vida em retidão, voltada ao trabalho, obediente à Bíblia e às normas da comunidade eram indícios de que a pessoa era uma das escolhidas”. (SELKE, BELLOS, 2017).

No caso da Contrarreforma, houve movimentos de mais repressão à liberdade, haja vista que o Santo Ofício, criado pelo Papa Paulo III, podia condenar pessoas à fogueira e à prisão perpétua em caso de dissonâncias. A censura é um ponto muito forte, se considerarmos que, no contexto do Concílio de Trento, foi publicada o Index Librorum Proibitorum, que previa quais livros estariam proibidos de serem consultados pelos católicos (MICELI 2013).

 

REFERÊNCIAS:

LOBO, Andréa Maria Carneiro; PORTELLA, José Roberto Braga. Percursos da História Moderna. Curitiba: InterSaberes, 2017.

MICELI, Paulo. História Moderna. São Paulo: Contexto, 2013.

SELKE, Ricardo; BELLOS, Natália. História social e econômica moderna. Curitiba: InterSaberes, 2017.


Fellipe Torres

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