Black Hole, de Charles Burns, é uma graphic novel sobre adolescentes de Seattle em meados dos anos 70.
A história se desenvolve a partir do medo frente a uma nova doença infecciosa, que deforma suas vítimas e causa anomalias genéticas.
Tudo isso com um ingrediente a mais: a contaminação só acontece por meio de relações sexuais.
Os casos cada vez mais freqüentes e mais próximos dos protagonistas, faz com que as frustrações, sentimentos, sonhos e agonias sejam vividos de forma um pouco mais drástica por esses adolescentes.
A escola, a cidade, os amigos, todos são afetados por esse vírus desconhecido.
Todos os ingredientes para essa história estão presentes trazendo-a, apesar do seu caráter extraordinário, para a realidade.
A fuga pelas drogas, as noites com amigos regadas a cerveja e a busca por uma noite de sexo; tudo isso somado a tensão de uma doença misteriosa, uma incrível arte em preto e branco, com traços sóbrios, duros, abusando de sombras e luz faz com que Burns crie uma obra prima sobre à adolescência filha do rock n’roll, misturando elementos sombrios , de horror e insanidade.
Se tudo isso não interessar, vale a pena dar uma olhada pelos desenhos e pela arte coesa de Burns. A série é dividida em dois livros, é distribuída no Brasil pela editora Rocco, foi ganhadora do Eisner Awards de 2006 ( o Oscar dos Quadrinhos) de melhor álbum do ano e nada mais do que outros nove prêmios.
Burns consegue criar uma ótima história de horror, trazendo dentro dela todos os elementos da adolescência, criando assim uma empatia bizarra na medida certa.
Sobre Charles Burns, aqui.
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