O Homem que Incomoda é um filme norueguês/islandês de 2006, do diretor Jens Lien e com roteiro de Per Schreiner.
O filme conta a história de Andreas, um homem de 40 anos de idade, que de repente chega em uma cidade completamente estranha. Ele é recebido com uma faixa de boas vindas e imediatamente descobre que tem um emprego e uma casa, mas não consegue se lembrar de nada.
Com o passar do tempo tudo parece perfeito na vida de Andreas (vivido por Trond Fausa Aurvaag): a cidade, as pessoas e até o trabalho. Tudo é perfeito, até demais.
Ele consegue um bom emprego, um relacionamento e amigos. Mas sua sensação de deslocamento é reforçada ao escutar as reclamações de um bêbado no banheiro de um bar. Atento, ele começa a perceber que a comida não tem gosto, cheiro e que tudo que o cerca é regido por uma ordem cega.
As pessoas são sempre educadas, as ruas são limpas, o trabalho é sempre pouco e o salário é alto. Seu relacionamento é calmo e apático, sem problemas ou discussões.
Por conta dessas sutilezas Andreas busca entender o que acontece com essa cidade e com todos que moram nela. Completamente deslocado e insatisfeito, de viver nesse mundo perfeito, ele começa a procurar soluções para a sua angústia.
O que era para ser um paraíso acaba se tornando um prisão, não só física, mas psicológica e sensorial. Tudo que o cerca é envolvido em mistérios, segredos e pessoas agindo com uma despreocupação artificial.
O filme é extremamente belo, com um trabalho de fotografia perfeito. O mundo em que Andreas vive é sempre retratado com cores frias, em tons de cinza, que remetem à um funcionamento apático e mecânico. Isso permite ao filme criar um clima de melancolia e agonia precisos.
O tema principal do filme é a felicidade e a liberdade. No entanto, é um filme que surpreende, se tornado uma história de realismo fantástico, com momentos de horror e forte apreensão.
A grande diferença de "O Homem que Incomoda", para outros filmes com o mesmo tema, é a combinação da atuação perfeita de Trond Fausa Aurvaag com um roteiro brilhante, que sabe trabalhar com clímax e anticlímax em uma narração leve, misteriosa e bem construída, e uma fotografia madura, coerente e milimétrica.
"O Homem que Incomoda" não é um filme para qualquer público. Mesmo com uma narrativa fácil, ele não é um filme comercial. Sua temática continua sendo densa, mesmo com o diretor Jens Lien realizando um excelente trabalho com um tema gasto e cheio de clichês, o transmitindo de maneira única.
O "Homem que Incomoda" é um filme completo, que incomoda, pela sua qualidade, tema e empatia que consegue provocar em quem assiste.
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