Mariana Dias

20 anos, estudante de jornalismo e não sabe fazer descrição de si mesma.

Nazismo segundo Tarantino

Bastardos Inglórios(Sacanas Sem Lei/PT) é um filme diferente dos muitos outros sobre esse tema. Tarantino coloca todo seu estilo e transforma elementos históricos segundo sua visão, misturando realidade e ficção de uma forma cômica e fascinante.


inglourious-basterds1.jpg

O nazismo é um tema que chama atenção devido as atrocidades e episódios que levaram a morte de uma média de 7 milhões de pessoas. Todos nós já nos deparamos com vários filmes e livros sobre o assunto, todos retratando os dramas vividos por pessoas que foram marginalizadas pela utopia de Hitler, a uniformização do mundo, onde só a raça ariana deveria existir. Em meio a essa montanha de produções sobre o tema, nos deparamos com uma em destaque; o filme Bastardos Inglórios(Inglourious Basterds). Lançado em 2009, o filme retrata várias histórias paralelas que têm o mesmo objetivo: destruir Hitler. Graças ao bióscopo(uma espécie de cinematógrafo com qualidade inferior), inventado pelo alemão Skladanowsky quase na mesma época em que o cinematógrafo dos irmãos Lumière, o cinema alemão pôde se desenvolver rapidamente. Com os nazistas no poder, em 1933 esses começaram a controlar toda a produção cinematográfica da Alemanha. Os filmes passam a retratar a raça ariana com grandeza e a pregar a inferioridade dos demais países e etnias, reforçando os valores utópicos de Hitler.

O considerado pai do cinema nazista é Joseph Goebbels, ele foi o braço direito de Hitler, sendo eleito o ministro de propaganda, foi responsável por controlar todo tipo de comunicação dentro da Alemanha. Segundo ele 'o cinema constitui um dos meios mais modernos de influenciar as massas', foi com esse pensamento que ele resolveu dar atenção especial ao cinema criando o Departamento Cinematográfico Nacional.

13796436_sma.jpg Joseph Goebbels

A função do cinema nazista era atingir a emoção de seu público através da realidade, e infelizmente foram precursores em vários aspectos da propaganda, sendo estudados até hoje na comunicação social. As imagens procuravam ressaltar a grandeza de Hitler, a sacada de Tarantino é mostrar justamente o contrário, na primeira cena em que o personagem de Hitler aparece, primeiramente vemos em sua pintura um homem gigante com expressão dominadora para logo em seguida vermos o personagem real, um homem baixinho e franzino que grita como uma criança mimada quando não consegue o que quer. Em Bastardos Inglórios, Hitler é o oposto, todo o esforço que ele fez para se mostrar nas propagandas como o gigante, é feito ao contrário por Tarantino, que o mostra de uma maneira cômica, grotesca e completamente insignificante. O mesmo acontece com o personagem de Joseph Goebbels, que acaba por parecer um homem inseguro e sem crenças próprias, que tudo que faz é seguir em busca da aprovação de Hitler.

inglourious_basterds_10-1.png

Dove.jpg Cartaz de 1944

Ao decorrer da história são citados importantes cineastas como; Charlie Chaplin, G.W. Pabst, Max Linder, entre outros. Também são feitas referências como o personagem Aldo Raine, que representa o caso peculiar do Sgt. John Fulcher que em 1944 foi responsável por retirar escalpos de nove soldados alemães.

As filmagens foram feitas na Alemanha e França, os cenários e figurinos são impecáveis, detalhadamente feitos de acordo com os uniformes utilizados na época. Tarantino abandona quase totalmente a estética hollywoodiana, buscando atores locais, descobrindo talentos europeus e formando um elenco totalmente diversificado.

Bastardos Inglórios é um filme que desconstrói a história e reconstrói de uma maneira cômica e zombeteira. Preservando o estilo sangrento de Tarantino, ele nos dá uma pequena noção do que foram as atrocidades cometidas naquela época e a frieza com que o Nazismo agia. Ele retrata uma judia em busca de vingança pela morte de sua família, que tem um caso com um negro e juntos nos proporcionam a sensação de catarse que a vingança pode nos proporcionar, mesmo que o elemento final do filme não tenha sido um fato verdadeiro, nos sentimos vingados. Passamos a ter certeza do quão baixo e utópico Hitler foi e desejamos que em algum lugar no meio do decorrer da história verdadeira tivesse existido uma Shoshanna Dreyfus e um Aldo Raine para torturar nazistas e mudar todo o curso da história.


Mariana Dias

20 anos, estudante de jornalismo e não sabe fazer descrição de si mesma..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/cinema// @destaque, @obvious //Mariana Dias