Quem a vê o sorriso angelical e o olhar tranquilo de Laure Lipton nunca diria que de sua mente sairiam desenhos grotescos, mostrando todo o horror e desespero do mundo. Lipton é uma nova-iorquina que vive em Londres, se formou em desenho e belas artes na Universidade Carnegie-Mellon, na Pensilvânia e desde então viajou por todos os cantos da Europa a fim de amadurecer sua arte.
Desenha desde os 4 anos de idade, por muito tempo foi influenciada pela arte clássica e pinturas religiosas da escola flamenca, mas desde sempre quis mostrar o outro lado das emoções dos seres humanos, o lado em que todos tentamos maquiar ou ocultar, todo o horror e os pensamentos que surgem a partir da angústia, da raiva, do medo. Para ela, a realidade é surreal e não tem limites.
Uma das técnicas que mais valoriza é o jogo de sombras e, influenciada pela fotógrafa Diane Arbus, prefere fazer seus desenhos em preto e branco, dando mais importância para os detalhes e expressões.
Lipton explora essa realidade cavando um mundo grotesco em que contesta a desindividualização da sociedade pós-industrial, o cotidiano vivido de uma maneira mecânica, revelando o esquisito e anormal que existe dentro de todas as pessoas. Também faz uma metáfora ao horror da sensação de se estar vivo, retratando em seus desenhos os vivos como caveiras e os mortos em sua forma normal, em paz.
Muitas pessoas consideram as obras de Lipton uma completa perda de tempo, outros as consideram aterrorizantes. Ela deixa bem claro que não liga para as opiniões sobre seu trabalho, simplesmente o faz, pois é sua forma de se desligar do mundo, de colocar para fora tudo que a atormenta em desenhos gigantescos, quase em tamanho real. Apesar de todo surrealismo é impossível visualizar qualquer de suas obras e não sentir todo existencialismo, toda raiva, todo sentimento forte e visceral da vida.
A arte de Laurie Lipton não é do tipo que pode ser descrita em muitas palavras, é ilimitada, turbulenta, instantânea, reservada aos sentimentos. Ela produz incessantemente, tendo centenas de obras espalhadas por todos os cantos do mundo. Ao decorrer de sua carreira, Laurie expôs seu trabalho principalmente pela Europa e atualmente está com a exposição 'L.A. Sous-Real' na Ace Gallery em Los Angeles, na qual faz uma crítica ao cotidiano da sociedade consumista americana.
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'Democracy', uma das obras da exposição 'L.A. Sous-Real'
Comentários
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Sara Cristine
As imagens dessa artista são realmente muito perturbadoras, mas é esse fato que lhe confere autenticidade e muita beleza oculta. Demais!
Pedro
Gostei bastante do artigo, essa mulher consegue mandar um sentimento tão profundo quanto sua arte e suas técnicas. Se puder escreve mais sobre outros artistas contemporâneos eu ficaria orgolhoso em lê-los.
Yasmin Faria
Estou completamente apaixonada por ela. Que arte maravilhosa.
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