Mariana Dias

20 anos, estudante de jornalismo e não sabe fazer descrição de si mesma.

A versatilidade e beleza de Anna Karina

Anna Karina, além de uma beleza extraordinária, apresentava uma personalidade nova ao cinema francês, ou, nas palavras do próprio Godard: “É difícil se encontrar uma garota que atire em um homem e depois saia cantando.” Essa personalidade lúdica de Karina lhe rendeu destaque durante os anos 60 e nos dias de hoje volta a crescer, sendo considerada uma espécie de Audrey Hepburn do cinema francês.


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A atriz dinamarquesa, cujo nome original é Hanna Karin, decidiu ir para a França com o intuito de fugir dos conflitos familiares, principalmente com seu padrasto. Na época, com apenas dezessete anos, mal sabia falar francês e possuía dinheiro para apenas alguns dias de hospedagem em um hotel barato. Circulando pelos cafés de Paris, a pequena garota não tinha ideia do que fazer, o dinheiro já havia acabado e começava a passar por um período de dificuldades. Foi então que, em um desses cafés, recebeu o convite para fazer algumas fotos publicitárias.

Sem exatamente ter pensado em ser modelo, Anna Karina aceita e desde então seu rosto passa a estampar várias peças publicitárias de marcas importantes, como a Chanel. Logo no começo de sua carreira como modelo, nos bastidores de um ensaio, Karina conversava com uma mulher que lhe disse que deveria usar o nome Anna Karina ao invés de seu nome original, mais tarde descobriu que essa mulher era Coco Chanel.

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O curso de sua carreira se seguiu com vários acasos favoráveis, o maior deles foi quando o diretor Jean-Luc Godard a viu em um comercial e decidiu chamá-la para realizar o filme À bout de souffle (Br:Acossado/ Pt: Acossado). A ainda então modelo não aceitou o convite, pois deveria ficar nua na pequena cena que faria. Após isso realizou dois curtas e recebeu então o convite que mudaria toda sua carreira, Godard a chama para fazer o filme Vivre sa vie (Br: Viver a vida/ Pt: Viver a sua vida) e a partir de então Anna Karina realiza mais seis filmes com o diretor, se tornando sinônimo e musa da Nouvelle Vague.

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Essa parceria que se concretizou com Godard, inclusive na vida pessoal, é considerada a melhor fase do diretor e da atriz, que após o fim do relacionamento realizaram apenas mais um filme e em seguida ambos adotaram tons diferentes em seus trabalhos. Karina seguiu atuando em filmes para outros diretores, o mais famoso seria o filme de Luchino Visconti; O estrangeiro(Lo Straniero), baseado no livro homônimo de Albert Camus.

Além dos filmes, Anna Karina gravou algumas músicas e também foi homenageada pelo diretor Pierre Koralnik, que realizou o musical Anna, no qual a atriz atuou e foi o primeiro filme em cores feito para a TV francesa.

Anna Karina iniciou o curso de sua carreira a deriva das oportunidades, uma mistura de sorte, talento e versatilidade a fizeram se tornar o símbolo que foi durante os anos 60 e, mais recentemente, sendo resgatada como inspiração para a moda vintage.

Assim como foi em seu início no cinema, a atuação de Karina é algo à deriva, ela se deixava levar pelo filme, suas personagens estavam sempre prontas para sorrir e logo em seguida chorar ou matar. Ela foi uma espécie de menina sedutora, ao mesmo tempo que possuía um sorriso lúdico e, logo em seguida acendia seu cigarro e tomava ar sedutor, introspectivo. A grande paixão dos diretores com quem trabalhou foi justamente por essa sua facilidade em transitar rapidamente entre diversas faces. Hoje, com 72 anos, é homenageada em vários festivais de cinema e ainda realiza pequenos filmes independentes. Anna Karina está eternizada como a musa de Godard e como brilho da Nouvelle Vague, sendo sempre relembrada como inspiração para as novas gerações de atrizes, diretores e estilistas ao redor do mundo.


Mariana Dias

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