Nada. No sentido de que coisa alguma divide a cidade da poetisa. Elas são a mesma coisa. Beatriz Hyuda de Luna Pedrosa não existia, figurava. A poetisa curitibana era a concisão da capital paranaense. Taciturna, mas sorridente, bem educada, mas com um desequilíbrio engraçado e também triste.
Pesavam sobre seus ombros a loucura, a genialidade e o vício pela poesia. Ao menos foi essa a impressão deixada por ela no pouco tempo de convivência que tivemos. Alguns encontros no extinto Café e Cultura na Alameda Carlos de Carvalho e poucas, mas longas conversas ao telefone, foram tudo o que eu o jornalista Vinícius Sgarbe tivemos dela até recebermos a triste notícia da sua morte em janeiro de 2008.
Jornalista por formação, a escritora curitibana nos deixou apenas dois livros publicados: Morfeu Gargalha e Clivagens. Ambos podem ser encontrados no site Estante Virtual. Isso diz muito sobre como a obra da poetisa é tratada na capital paranaense. Poucas memórias amocadas em sebos.
Em um dos livros da autora que encontrei em um sebo curitibano, havia uma dedicatória que dizia: “Quero apenas um café e um cigarro.”, Bia de Luna, 1997.
De tudo restou
Uma solidão amarga
E corrosiva. Poro a poro
E é quando suor e lágrimas
Se encontram numa pororca
Larga e amiga que
A saudade bate. Choro.

Escrevo e não escrevo lento.
E você, cara, que vive a crédito,
Em débito com o sol e a lua crescente
Não pense em impunidade.
No conta-gotas que mata tua sede
Há dor e descrédito e
No que te alimenta há tédio e
Veneno.
Não te quero em amenidades,
Que são somente consolo
E a tua chance
É nos igualarmos
Nas incertezas do subsolo.
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