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Riqueza de espírito

Gabrielle Seraine

Aspirante a produtora cultural, escritora, fotógrafa e cantora. Estudo publicidade e gosto de todas as artes, inclusive aquelas que as crianças fazem quando não estamos vendo.

Precisamos falar sobre isso


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Os recentes suicídios dos atores Robin Willians e Fausto Fanti (do grupo Hermes e Renato) em datas tão próximas e ao que tudo indica, consequências de depressões profundas, causaram espanto e geraram alguns textos, matérias, artigos e comentários diversos sobre o assunto. Houve até quem dissesse que o volume de informações podou o luto, saudável nesse momento.

No entanto, apesar de concordar que seja numerosa, chata, repetitiva e superficial a abordagem desse tema nas redes sociais – onde atualmente recebemos o maior volume de informações – é importante ressaltar que de alguma forma estamos falando sobre o assunto.

Suicídio, até pouquinho tempo atrás, não merecia ser noticiado, ou vinha camuflado em informações como “fulano caiu de um prédio”, “sicrana tomou doses fortes de remédios” ou “beltrano morreu afogado ou asfixiado”. As frases evitavam ao máximo o uso da palavrinha do mal – suicídio.

Sob a égide de não fazermos apologia ao ato, afogamos o tema em conclusões rasas e evitamos, por muitos anos, trazer luz às situações relacionadas a esse tipo de fim que as pessoas decidem dar às próprias existências.

E existir é uma coisa muito difícil. Querer deixar de existir é altamente compreensível. E não se trata de egoísmo. Egoísta é o homicida (minha opinião). Condenar o suicida postumamente é emitir um atestado de que ele tomou a decisão correta em querer abandonar a vida.

Somos tão fracos em expor nossas agruras (especialmente em nosso amado país, falamos tanto, mas pouco sobre o que mais interessa) que ficou mais interessante deixar o assunto de lado a falar sobre. E acreditem, precisamos falar sobre isso. Precisamos falar sobre tudo. Não pode haver um assunto proibido. Assuntos proibidos são doenças em potencial.

A ação do suicídio não é produto de uma alma fraca ou de uma pessoa problemática, mas de uma sociedade que não deitou em um divã para tratar das causas de suas depressões. Perdemos talentos extraordinários precocemente porque nossos assuntos estão entalados em algum tipo de preconceito, intolerância, egoísmo, falta de fé no próximo e assim vai.

Existe também outro aspecto relacionado a esse assunto. Em algumas culturas antigas o sacrifício da própria vida poderia ser honroso e em nossos dias esse ato não deveria significar necessariamente uma vergonha. É o exercício de uma escolha, como eu e você fazemos diariamente. Mas o fato de não ser vergonhoso ou desonroso não diminui o peso da ação. Também não diminui o sofrimento dos envolvidos. E o sofrimento, esse malvado, que tanto queremos evitar ao longo da vida para que não resulte em morte, seja ela física, social, moral ou espiritual, precisa ser denunciado. Por isso, precisamos tanto e urgentemente, falar sobre isso. Falar sobre tudo.


Gabrielle Seraine

Aspirante a produtora cultural, escritora, fotógrafa e cantora. Estudo publicidade e gosto de todas as artes, inclusive aquelas que as crianças fazem quando não estamos vendo..
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