serendipidade

Alimentar a mente é prepará-la para o acaso. O feliz acaso.

Lisa Zigue

É da opinião de que nem tudo está perdido... É necessário um olhar para lá da linha do horizonte e passar as mensagens certas.

Não eram só os Samurai

Todos nós sabemos dos Samurai e da sua existência no Japão feudal. O legado que estes homens deixaram é inquestionável e estende-se até aos dias de hoje, mesmo no ocidente. Eles não estavam sozinhos…


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Samurai era um termo masculino para designar os guerreiros do Japão pré-Restauração Meiji. Eram homens que ocupavam um elevado status social, dominavam as artes marciais, eram cultos e possuíam um forte código de honra. A sua maior função era servir cegamente o seu Senhor e em troca recebiam privilégios. Pertenciam à classe social Bushi (guerreiro) e nas suas famílias de elite, as mulheres também recebiam treinos militares para poderem proteger os seus lares na ausência dos homens, que partiam para combate.

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Chamavam-se Onna Bugeishas e recebiam educação em artes marciais e estratégia. Eram esposas, viúvas, filhas, rebeldes, também membros da classe de elite Bushi treinadas para proteger os seus lares, família e honra em tempos de guerra. Representavam um desvio do habitual papel doméstico das mulheres no Japão feudal e segundo estudos feitos, chegaram mesmo a combater em campo, ao lado dos Samurai.

Textos históricos referem-se muito pouco a estas guerreiras, o que deu azo à crença de que eram uma pequena minoria. No entanto, estudos mais recentes mostraram que a participação das mulheres japonesas em batalhas, era mais forte e comum do que se poderia esperar. Vestígios humanos foram encontrados no local da batalha de Senbon Matsubaru (1580) e submetidos a exames de DNA, concluindo que 35 dos 105 corpos eram do sexo feminino. Noutros sítios, os estudos conduziram ao mesmo tipo de resultados.

A arma mais comum utilizada por estas guerreiras era a Naginata, de lâmina curva fixada na ponta de uma haste. Uma arma versátil e ajustável, que oferecia uma grande variedade de técnicas de longo alcance devido ao seu comprimento. Era eficiente contra atacantes montados a cavalo e eficaz também em combates de curta distância. A Naginata contava mais com a habilidade do utilizador, do que com a força física, peso e qualidade da arma, tornando-a uma excelente escolha para as mulheres guerreiras, às quais, a sua imagem permaneceu sempre ligada.

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A par com a Naginata, era também utilizada a faca mais pequena Kaiken, bem como a arte do Tantojutsu (Tanto - espada de lâmina curta).

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Uma destas destemidas guerreiras que ficou reconhecida na história foi Tomoe Gozen (1157 – 1184), esposa de Minamoto Yoshinaka, do clã Minamoto. Nascida no seio de uma família Samurai, foi logo cedo treinada para manusear a Naginata, no sentido de proteger a família. Tomoe lutou nas Guerras Genpei (1180 – 1185), um confronto entre os clãs Taira e Minamoto pelo controlo do Japão, que durou cerca de 5 anos.

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No relato épico sobre a história destas guerras, Heike Monogatari (O conto dos Heike), Tomoe é descrita:

“Tomoe Gozen era especialmente linda, com uma pele branca, cabelo longo e características encantadoras. Ela era uma arqueira notavelmente forte e muito precisa, como um espadachim ela era uma guerreira de valor inigualável, pronta a confrontar um demónio ou um deus, montada ou a pé. Ela controlou cavalos irrompíveis com habilidade soberba. Sempre que uma batalha era iminente, Yoshinaka enviava essa valorosa guerreira, como o primeiro capitão de seu exército, equipada com armadura forte, uma espada enorme e um arco poderoso; e ela executou mais acções de valor do que quaisquer dos outros guerreiros de Yoshinaka.”

O seu paradeiro é até hoje desconhecido.


Lisa Zigue

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