serendipidade

Alimentar a mente é prepará-la para o acaso. O feliz acaso.

Lisa Zigue

É da opinião de que nem tudo está perdido... É necessário um olhar para lá da linha do horizonte e passar as mensagens certas.

A existência marginal de Dash Snow - um legado

Provocante mas transparente. Selvagem mas real. Dashiell "Dash" Snow marcou uma geração e o seu nome perdura no tempo. Uma inspiração para muitos, deslumbrados pelas imagens juvenis, alternativas, rebeldes, por vezes chocantes, sempre tocantes. Venho aqui relembrá-lo.


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Tenho um especial interesse pelos inconformados da sociedade, pelas chamadas "ovelhas negras", por aqueles que procuram as saídas fora do sistema, por quem quer e tenta ir sempre mais além, puxa os limites. Mas o Homem é curioso e acaba sempre por haver os dois lados da questão: tão depressa uma qualidade positiva se pode tornar negativa. Tão depressa se pode usar uma ferramenta para crescer e animar, como se pode usar a mesma ferramenta para destruir ou sofrer. As fronteiras tocam-se.

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Conheci-o em 2009, quando li a notícia da sua morte por overdose. Dash Snow morreu aos 27 anos (a par com Basquiat e outros jovens ícones da cena artística) num quarto de hotel, onde foi encontrado rodeado de vestígios de muito álcool e heroína. Era herdeiro de uma imensa fortuna, mas optou por fugir de casa muito cedo para encontrar e dar azo ao seu lado artístico e auto-destrutivo. Um “Baudelaire de downtown Manhattan” como era conhecido, obcecado por drogas, sexo e pelo momento. Controverso.

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Na altura debrucei-me sobre a sua obra: fotografia - polaroids (que aprecio bastante), vídeos, colagens, instalações, entre outros – num desenrolar de cenas de sexo, uso de drogas, violência, glamour, pornografia e arte, retratando ao mesmo tempo La vida Loca de um grupo de jovens artistas nova-iorquinos.

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(Mais para o final, adquiriu a peculiar característica de usar o seu próprio esperma como material para os seus objectos de arte, num acto, por vezes, de rebelião contra figuras de autoridade.)

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Era notável a capacidade que Dash tinha de transformar temas, que giravam em torno da decadência, em algo Belo.

Apesar de muito jovem, Dash deixou uma vasta obra em diversas plataformas e uma filha chamada Secret – cujo nascimento lhe provocou um despertar para a vida que levava, mas tarde demais.

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Lembro-me deste artista de vez em quando e gosto de rever o seu trabalho e a sua história. Toca-me sempre e no fundo penso nele como alguém especial, que teve de se evadir do mundo e perder-se para se poder explorar e encontrar. Há muitas maneiras de o fazer, esta foi a dele, e no final partiu deixando o seu legado louco e genuíno.

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Lisa Zigue

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