sétima cena

Só o cinema reúne as sete artes em uma cena

Leonardo Miranda

"Whiplash", de Damian Chazelle

Ato final explosivo é o ponto alto de um filme com vícios indies e atuações fortes.


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Andrew, vivido por MIlles Teller, vai ao cinema e para no quiosque de comida. O plano, focado nele e na atendente (o interesse amoroso) é cortado por 3 closes da ação pedida: refrigerante, doce, pipoca. Volta para o plano inicial.

Parece ousadia, mas o recurso vem da Nouvelle Vague e é usado em abundância pelo “novo cinema independente americano”, onde se localiza “Whiplash”, de Damien Chazelle. O vício de edição, já visto, enfraquece um conjunto pontuado por momentos de explosão e música.

A história de superação do garoto Andrew, bateirista de jazz que tenta agradar o tirado Terrence Fletcher (J.K. Simmons) poderia ser um filme motivacional simples, é verdade. O diretor jamais julga lados e cria o embate na imagem, no corte das mãos sangrentas em contraponto à mão do professor ditando o ritmo.

É nessa ruptura que mora a força do longa, um tratado de tensão aluno-professor. Andrew explode e a câmera fica “nervosa”, na mão. Andrew tenta agradar o professor e entra em confronto, assim como a imagem que contrasta close, plano e movimento. É a tensão da imagem que constrói a relação entre os dois.

O caos progressivo não é acompanhado pelo restante do filme, que apela para roteiro fácil – apresentação, virada, confrontação e virada – e personagens secundários com significados definidos, empobrecendo a construção de Andrew. Resta a Teller e Simmons se esforçarem para dar mais expressão, com sucesso.

Se é frescor nas sequências finais, é lugar comum na primeira etapa : Whiplash é bom, apesar do potencial em ser mais.


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