sétima cena

Só o cinema reúne as sete artes em uma cena

Leonardo Miranda

Lawrence da Arábia, de David Lean

Lawrence da Arábia não é mero filme, mas sim um espetáculo estético e social.


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O cinema de David Lean jamais deve ser encarado como um simples filme. É uma experiência cinematográfica de grande complexidade, unindo imagem e som para uma catarse cinematográfica.

Lawrence da Arábia é o ápice dessa combinação. Ao mesmo tempo que dialoga com cinema de entretenimento e massa (nas brilhantes sequências de ação e trilha sinfônica que pontua o sentimento do espectador), nega todas as construções pré-estabelecidas do gênero: não há marcação temporal ou letreiros, não há propriamente um "clímax", mas sim incursões psicológicas construídas com pequenos e marcantes diálogos - uma frase diz por páginas de roteiro.

Se já é magistral em sua forma escrita, na imagem os detalhes pontuam planos de impacto quase onírico de tanta beleza. Do fósforo que se transforma no sol, da miragem que vira Omar Sharif, da fumaça que cobre a câmera: há um brilhantismo técnico e um esmero com cada sequência, potencializando toda o clima de espetáculo.

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"Lawrence" se torna maior ainda quando deixa as frases edificantes (tão comuns hoje) de lado e pontua os personagens da "jornada do heroi" com características humanas atemporais, à lá Shakespare: o líder preso na tradição, o idealista jovem que se rende à política, o povo dividido, os exterior de interesses escusos. O filme conta a história do poder na humanidade sem dizer que a conta.

Se há filme perfeito, é este.


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