sexo com pipoca

sexualidade e erotismo no cinema

Talita Aquino

Sempre que posso tento jornalistar um pouco sobre cinema. E sexualidade é o meu fetiche. Misturemos prazeres então.

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Ma vie en Rose é ousado e sensível. Um filme sobre identidade, aceitação e preconceito.


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Ludovic tem um dilema muito grande pro seu pequenino tamanho e tão pouca idade. Mas não foi a criança quem criou o dilema, quem fez dele um monstro cheio de tentáculos determinado a machucar e fazer sofrer toda sua família.

Ludo (seu apelido) sabe que em dias de festa é necessário se arrumar, ficar bonita. Nada mais natural que escolher um belo vestido, ajeitar um enfeite de cabelo e retocar os lábios com batom. Na confraternização de sua família com a nova vizinhança é assim que Ludo aparece, para o choque e desconforto dos pais e dos convidados. Mas porque? Qual o espanto em ver uma mocinha tão arrumadinha, tão próxima ao que poderia ser chamado de princesa.

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Ma vie en rose (1997) é um filme sensível e original que conta a história do menino que tinha certeza de que era menina. Este é ao mesmo tempo o mote central do longa e o pano de fundo para uma história muito mais sombria e medonha. Como todos os contos de princesa, há um monstro que se esgueira nas sombras dos olhares, das falas atravessadas - adultas demais para serem compreendidas por uma criança de 7 anos. A violência, ignorância e preconceito são o ser maligno que impede que Ludo possa viver, como as outras meninas, o mundo mágico da boneca Pam.

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Ludo não vê problema algum em se vestir como uma menina porque sabe que em breve se tornará uma. É claro que isso acontecerá, é o que acontece com meninos que se sentem meninas, um belo dia eles deixam de ser garotinhos e se tornam moças, talvez tendo que passar por uma leve dor de barriga.

O encantador em Ma vie en rose é a naturalidade com a qual Ludo enxerga a si mesmo e como constrói sua identidade, tentando explica-la cada vez que o mundo ao redor lhe diz que meninos não se tornam meninas nunca. A cada negativa e hostilidade que encontra dos colegas da escola, da professora, dos amigos do pai e das amigas da mãe, Ludo responde com a simplicidade de quem sabe muito bem quem é e com a veracidade muitas vezes vista apenas nas crianças.

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O filme aborda de forma suave, mas não menos emocionante, o peso que a sociedade impõem sobre a individualidade dos sujeitos e como isso se reflete no lugar maior da construção da personalidade de uma criança - o lar. Vemos como as relações familiares se estruturam, como a escola pode reprimir ou apoiar, as associações diretas entre a expressão do gênero e a sexualidade, o terror psicológico da religião.

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A história de Ludo nos mostra muito da forma como tendemos a ser intransigentes, intolerantes e a estigmatizar o diferente, mesmo que seja uma criança de 7 anos. Vemos em Ludo um reflexo do que somos e não queremos ver. Vemos até onde os tentáculos do monstro podem chegar e como cada um de nós dá a eles mais força.

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Ma vie en Rose faz rir, chorar e, pelo menos no meu caso, querer dançar no mundo mágico de Pam.

Assista ao trailer (em inglês):


Talita Aquino

Sempre que posso tento jornalistar um pouco sobre cinema. E sexualidade é o meu fetiche. Misturemos prazeres então..
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