shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

“A vantagem de ter má memória consiste em gozar muitas vezes com as mesmas coisas” Nietzsche

Sobre a memória: o que lembramos, porque desejamos, e o que esquecemos, por não dar importancia.


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Sobre a memória, eu sempre tive bem claro um conceito - diria que uma filosofia de vida - que encontrei, por surpresa, respaldado nas palavras de nada menos que o gênio Arthur Schopenhauer: “Cada um tem o máximo de memória para o que lhe interessa e o mínimo para o que não”.

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Quem já não escutou, por centenas de vezes, com voz doce: “Ai, me desculpa, eu esqueci”. Pior justificativa não há: que se mantenha em silêncio que ganha crédito. Além do ser não me dar importância, ainda confirma depois. Daí eu penso, quase nunca falo, mas penso, como Groucho Marx: “Nunca esqueço de um rosto, mas com o seu estou disposto a abrir uma exceção”. Então eu dou um sorriso. E esqueço de lembrar do ser.

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O desejo de ser lembrado pode passar do simples dia a dia e cair na tentação de se querer fazer imortal. Milan Kundera, autor de “A insustentável leveza de ser” - um dos melhores livros de todos os tempos - escreveu outra obra prima: Imortalidade. Fala dessa necessidade e dos sacrifícios, limites e ausência de bom senso que podem ser empregados na tentativa de se fazer imortal. Ou pegar carona com quem vai ser imortal, com quem se sabe que é uma personalidade brilhante, seja pela arte, ciência, música, esporte... Algo como encontrar o Caminho das borboletas e coisas do gênero.

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Oscar Wilde fala sobre quem materializa esse desejo narcisista escrevendo sobre si mesmo, em um livro de memórias, em vida: “Só publicam suas memórias aquelas pessoas que devem ter perdido completamente a memória”. Esse culto sobre si mesmo nem sempre é razoável...

Se a memória tem um lado positivo, tem um negativo também. Como o efeito de ficar congelado em alguma idéia ou sentimento. Einstein dizia que “a memória é a inteligência dos tontos”. Entendo: a curiosidade é o combustível para descobrir e viver o novo. A ciência se desenvolve com gente que quer esquecer velhos conceitos e descobrir coisas diferentes. Einstein descobriu uma série de coisas jamais pensadas antes, como a relatividade do tempo e que o espaço não é tridimensional. E muito mais.

Pessoalmente, pode-se ir além das expectativas limitadas que se costuma ter: basta deixar as memórias onde elas ocorreram, no passado, e abrir-se para o que virá. Curiosidade para se entregar, para se apaixonar, para conhecer, para pesquisar...

Às vezes me sinto como Robert Stevenson: “Minha memória é magnífica para esquecer”. Às vezes tenho que forçar um pouco. Como? Basicamente, como quase tudo na vida, substituindo. Coloco uma memória por cima de outra, e depois outra, e outra, e assim vou construindo um mundo de experiências.

Me despeço com Mário Quintana: “A Imaginação é a memória que enlouqueceu”.

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Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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