shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

“Tenho que estar equivocado só porque uns milhões de pessoas pensem que não tenho razão?” Zappa


Frank Zappa foi um ícone. Além de músico, foi pura ironia.

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Usava um discurso direto e provocativo que tirava a voz de quem pensava em responder. Ultrapassou a música, entrou na política, provocou a igreja e deixou muitas ideias para serem refletidas.

Quando se candidatou a presidência dos EUA, como independente, logicamente, entre as pérolas dos discursos políticos, disse: “Muitos erros da sociedade devem ser atribuídos ao mau funcionamento sexual das pessoas que elaboraram as leis”. Se não todos, muitos. Nesse caso, Freud explica.

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Sobre a religião, teve sua opinião muito definida. Para ele, Adão e Eva, os protagonistas do “início de tudo”, deixam bem claro o que é proibido: o conhecimento. De acordo com o conto de fadas, “Adão e Eva estavam no paraíso e uma serpente “malvada” convenceu a mulher a comer a maça da árvore do conhecimento”. Como castigo foram expulsos do paraíso e fadados a trabalhar. Zappa pontualmente questiona: “O que havia de mal querer ter o conhecimento?”

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Ele ainda afirma que a igreja consolidou a idéia de deixar o pensar, o conhecer, para quem fosse “escolhido” (por ela). Esse foi somente o início do que nós vivemos ainda hoje. Exemplo disso, que normalmente não temos consciência, é a eduação: o “nosso sistema escolar prepara as crianças para serem ignorantes, com estilo, ignorantes funcionais”. Soa radical, mas é a mais pura realidade.

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Os professores não detêm somente o conhecimento. Costumam ensinar também as suas ideias pessoais, suas crenças, suas políticas, suas religiões, suas noções de ética e moral - tudo isso, e mais um pouco - de forma mastigada e induzem os alunos a copiarem. Quem questiona muito, costuma ser castigado psicologicamente. Até pouco tempo, eram castigados fisicamente também.

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Eu bem que tentei, desde que recordo estar em uma sala de aula, em questionar e não aceitar com facilidade todas as regras. É uma tarefa dura, acaba sendo um fardo e eu desisti porque era pesado demais. Isso porque não é só a escola que me posicionava como “rebelde” mas a família também passou a repetir a puniçao do que a escola reprimia. Ou seja, aprendemos a deixar os grandes pensarem e decidirem por nós.

É um círculo vicioso porque, quando grandes, deixamos os políticos, a igreja, a família e a sociedade pensarem, decidirem e influenciarem cada pequeno pensamento e escolha que fizermos.

Na psicanálise seria assim: O Superego bombardeando o coitado do Ego a todo o momento. Pressionado, o Ego encontra uma válvula de escape no Id, que, nesse caso, pode se manifestar de forma abrupta. Ou seja, nós quase não somos nós mesmos (Ego): vamos reagindo conforme autoriza o pai, a mãe, a escola, a sociedade, a igreja ou quem mais suponhamos estar acima de nós na cadeia hierárquica(Superego) ao mesmo tempo que tentamos sufocar ou aceitar nossos instintos (Id).

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Nessa luta constante, quando o desequilíbrio entre o Id, o Ego e o Superego se instala de forma grave, pode acabar em patologia. Logicamente, depois que o mal está feito, curam com remédios para dormir, remédios para ficar acordado, para não ficar deprimido, para não ficar over estimulado... Mas incentivar a pensar e a decidir sem pressão externa, isso não. Essa é uma atividade não comum, solitária e usualmente não indolor.

Quem consegue romper com a manipulação que somos submetidos toda a vida, sair da caixa que nos colocaram, são docemente chamados de outsiders. Nome até engraçado, bastante realístico porque, de fato, estão fora da bola de neve que vai levando toda a gente que outorga a responsabilidade de tudo para os outros.

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Despeço-me, deixando a cereja do bolo pro final. Zappa disse certa vez uma frase célebre, uma balançada que nos tira da massificação da ignorância, na qual pensamos que se todo mundo faz assim é assim mesmo, está certo. Diz ele: “ Nunca me importei que 30 milhões de pessoas pensem que eu estou equivocado. O número de pessoas que pensavam que Hitler tinha razão não prova que estivessem corretos. Tenho que estar equivocado só porque uns milhões de pessoas pensem que não tenho razão?”

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Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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