shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

“Our code is to die standing up.” (Nosso código é morrer em pé.) Shahin Najafi


Quanto poderia valer uma música que cutuca o ego da tradição islamita chiíta? A de Shahin Najafí, 100.000 dólares.

najafi.jpg Shahin Najafi está com a cabeça a prêmio, literalmente falando.

A liberdade de expressão, de cantar, vale 100.000 dólares, segundo os radicais do Irã. Uma vida também. A recompensa será dada a quem matar o músico Iraniano, que difundiu no youtube uma canção que invoca a figura de Iman - o ato de ter fé em Deus - da tradição islamista chiíta, para baixar a terra e salvar o país dos atuais dirigentes.

A sentença de morte, dada por aqueles que se acham deuses, é por heresia. A canção é considerada uma blasfêmia e, por isso, o cantor “deve” morrer.

Muito me recorda, tudo isso, da santa Igreja na época que da inquisição. A religião de muitos hoje, já teve seus dias de sangue e glória ontem. Cuidado com os olhares críticos aos Mulçumanos. O extremismo parece sempre dominar uma parte da religião e outra da política, independente de qual seja. O resultado disso são cabeças rolando e homens senhores da verdade na terra. Terra de ninguém.

Volto ao Najafi: a música foi só estopim da perseguição. Ele já vive, desde 2005, na Alemanha e hoje está sob proteção policial - se estivesse no Irã, já não estaria vivo. Não tem legendas, mas as imagens transmitem toda a mensagem.

Além dos radicais do Irã, quantos mais radicais colocam cabeças a prêmio, cabeças que se manifestam contra o que eles determinam como verdade? Quanto vale a liberdade de expressão? Parece não existirem respostas porque não existem limites.

Quando lemos sobre Najafi temos a impressão que se trata de uma realidade muito, muito distante. Será mesmo? Se parece, não é. Estamos em contato diário, tanto nos Direitos Humanos europeus quanto na Democracia brasileira, com gente ameaçada, perseguida, extorquida e pressionada para se calar.

Passa o colonialismo, passa a ditadura, mas não passa o dever de ficar calado. Às vezes a nossa voz pode nos custar a vida. Se não a vida física, uma vida de sossego, paz e tranquilidade.

Me despeço com Albert Camus: “Se o homem falhar em conciliar a justiça e a liberdade, então falha em tudo”.


Laís Locatelli

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