shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

John, Jack y Sally: o tempo no filme “Para Roma com Amor” (To Rome with love)


Woody Allen, mais que qualquer outra coisa, tem uma imaginação que ultrapassa qualquer limite. Especialmente os limites de tempo e de espaço, que não são muito considerados nas histórias dele. Ele passa disso: volta no tempo, pula espaços ou os ignora por completo.

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Para Roma com Amor apresenta uma história, entre as outras três que ocorrem em simultâneo e de forma independente, que salta aos olhos: uma história sobre voltar ao próprio passado. Não voltar em um tempo passado como em “Uma noite em Paris”, mas voltar ao passado de uma pessoa, o próprio personagem vivenciando junto com ele mesmo o que ele viveu no passado. Se você pudesse voltar ao seu passado, para que momento iria? O personagem de Alec Baldwin, John, o arquiteto famosão, volta para uma encruzilhada-pegadinha amorosa. Para quem não assistiu, explico em poucas linhas: ele se coloca como amigo-conselhereiro-fantasma dele mesmo, representado pelo Jack, quando era jovem e estudava em Roma. Ele morava com a namorada, Sally, e estava focado nos seus estudos até chegar uma amiga (da namorada), com dor de cotovelo, para ficar, de forma indeterminada, no apartamento do casalzinho.

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Só pelo resumo, já se percebe onde leva o final do conto: amiga com dor de cotovelo na casa junto o namorado? Já ta! Quer atenção, está com a autoestima baixa, se apresenta como a princesa em busca de um super herói....Enfim, o que todos já sabemos de frente pra trás e de trás pra frente. Ninguém em sã consciência colocaria uma amiga com dor de cotovelo dentro de casa junto com o namorado. Mas a dele colocou.

Alec, ou John, desesperadamente tenta avisar ele mesmo que a amiga da namorada está preparando artimanhas, frases preparadas, caras clássicas, coincidências armadas...Mas sabe, ele era tão jovem e desejava tanto ser super herói...

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Até mesmo os jovens de 50 anos têm o desejo latente de ser o super herói de uma moça indefesa e carente, imagina um jovem de verdade, alguém literalmente jovem. Mosca na sopa! Vai cair, certo que vai cair!

Com o tempo a gente aprende as falácias. Pode rir delas, correr delas, se divertir com elas, mas deixa de se enganar com elas. Esse é o ponto: Alec, John, não quer se deixar enganar pela amiga de Sally porque ela enganaria até o cachorrinho da casa em busca de atenção!

A dor de cotovelo não me comove, em absoluto, não me comove. Como poderia? Alguém que coloca o seu próprio ego no lugar do sol e faz tudo e todos girarem ao redor dele. Ela poderia estar aprendendo com a experiência e não mendigando atenção. A namorada do jovem Jack que o diga...Que erro primário colocar o ego dos outros dentro da própria vida e ainda dar ferramentas (o namorado arrumar o que está estragado!

Alec, você foi incrível e me comoveu. Porque, se eu pudesse voltar no meu tempo, teria tido menos dor de cotovelo, teria mendigado menos atenção e pouparia os outros da minha miséria.

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Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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