shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

“Não esqueço nunca. Mas há poucas coisas de que eu me lembre”. Clarice Lispector


clarice-lispector.jpg Clarice Lispector

Essa frase de Clarice me remete para uma música, uma música que conta uma história de amor. Uma história de amor acabado, destronado. Isso porque, simplesmente, é uma história de amor: todas as histórias de amor acabam. Essa é a grande mensagem em "Ela disse adeus".

“Ela disse adeus, e chorou, já sem nenhum sinal de amor. Ela se vestiu, e se olhou; sem luxo, mas se perfumou. Lágrimas por ninguém, só porque, é triste o fim. Outro amor se acabou.”

Hebert Viana vislumbrou aqui a memória seletiva. É fato: a gente só lembra o que quer, quando quer, como bem deseja.

Para colocar mais pimenta, basta misturar uma saudade. Daí a memória fica multicolor: pintamos tantas cores, a fazemos especial, sendo ou não. Um exemplo bem simples é concorrer com alguém que já morreu. Jogo perdido. Todo mundo lembra da criatura como algo que não era. São memórias faccionadas e modificadas: cada lembrança, uma vez trazida ao consciente, é enfeitada e guardada de volta. No final das contas, é muito mais imaginação que lembrança.

Salvador Dalí resume a obra: “A diferença entre as lembranças falsas e as verdadeiras é a mesma que existe entre as jóias: as falsas sempre parecem mais brilhantes e reais”.

Se Dalí é demasiado realista, nem mesmo o mais nobre poeta conseguiu ver de maneira mais romantica. Gabriel Garcia Marquez escreveu: "Era ainda jovem demais para saber que a memória do coração elimina as más lembranças e enaltece as boas e que graças a este artifício conseguimos suportar o passado".

Se a saudade enaultece as lembranças, a falta dela faz quase tudo se dissipar no ar. Ou, como diria Goethe, “Quando o interesse diminui, com a memória ocorre o mesmo”.


Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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