shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

As relações disparam as emoções, mas elas derivam de causas mais profundas.


“Quando nos apaixonamos por outra pessoa, muito facilmente vivemos uma experiência intensa no começo da relação. Como se algo se abrisse dentro de nós, algo que estava escondido e que somente pode ser descoberto pelo olhar do outro.

As demais pessoas parecem não ver esse “algo” que o ser amado desperta: a beleza desnuda de quem somos. Esse ser reanima nossa paixão e entusiasmo pela vida, nos sentimos vistos e amados e experimentamos nossa própria profundidade.

Esta é a sensação de estar apaixonado. E, ainda que pareça ter alguma coisa a ver com o outro, na realidade tem a ver com nós mesmos, com o que o outro desperta dentro de nós - um milagre! Sentimos o quanto temos para dar e o quanto podemos receber.

Nesse momento, normalmente, nos intoxicamos com a admiração e com a maravilha dessa paixão que experimentamos e nos atamos cegamente à pessoa que despertou esse sentimento. Ela tem a “varinha mágica” em suas mãos e, o que no começo levou a uma revelação, a um sentimento amoroso a nós mesmos e ao outro, gradualmente faz com que nos perdemos, já que ficamos totalmente focados nesse outro.

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Esse sentimento todo poderia transformar-se numa conexão equilibrada e constante permitindo ao outro sua dor, sua desconfiança, suas decepções e sua resistência, mas existe outra energia muito forte em jogo: a força destrutiva da paixão.

Essa força poderia ser chamada de criança interior abandonada, que leva dentro de si uma dor profunda, que existe desde sempre. Essa criança - que desperta juntamente com a paixão - tem muitas emoções que podem nublar a realidade que nós somos a fonte da deliciosa sensação que experimentamos nas etapas iniciais do amor romântico (sentimentos que foram possíveis através do outro mas que têm a ver com nós mesmos e com o espaço que nos damos).

A nossa criança interior abandonada clama por atenção e amor e tenta agarrar-se a todo custo a paixão para obter o que lhe falta. Por tamanha demanda, a paixão e a criança podem terminar em lados opostos. O que a princípio parecia ser muito bonito, vira uma relação destrutiva - onde vão brigar um com o outro - e entram numa luta que nenhum quer, mas que de todos os modos sucede.

No momento em que a magia está ameaçada a desaparecer, nos desesperarmos. A todo custo queremos agarrar a nossa paixão porque alguma vez sentimos com ela a sensação de amor absoluto. Vamos lutar para prendê-la e, nesse momento, nossas velhas dores, emoções de ira, medo e abandono podem entrar em jogo.

Torna-se muito difícil soltarmos a outra pessoa porque seremos movidos pela recordação de como foi bom quando tudo estava em harmonia.

Nessa etapa é muito importante que saibamos quando soltar. No momento que sentimos que a relação entra em uma espiral descendente e que vamos acusar e culpar um ao outro, é o momento de deixar ir. Podemos cultivar muita mágoa precisamente porque tocamos e fomos tocados profundamente - e essa dor é difícil de curar.

Vamos nos atrever a dar um passo para trás quando sentirmos que estamos fora de controle, que estamos sendo arrastados por emoções que impedem de aproximarmos com o coração aberto.

Podemos sentir um imenso medo de sermos abandonados ou justamente o oposto: um medo a conectarmos tão profundamente com alguém que nos perdemos. Pode haver outras emoções, a ira ou o ciúme, porém, o que é mais importante, é nos darmos conta de como as emoções mais intensas têm a ver mais com nós mesmos do que com a relação. A relação dispara as emoções, mas elas derivam de causas mais profundas”.


Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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