shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

“O inferno são os outros” Sartre


Dependemos tanto assim da presença e da opinião dos outros?

Essa é um pergunta que causa uma certa inquietude. De fato, os outros são uma parte tão grande da nossa vida que eles se misturam com a nossa própria vida, como se nós mesmos, como indivíduos, não pudéssemos estar dissociados deles, dos outros.

Como ocorre essa relação, em que se baseia, quais os valores que ali residem nos levam a uma viagem ao ser humano, esse ser social, esse ser que anda em grupos, que pertence a um, que se identifica com um, que se adapta, justamente, aos outros.

Sartre - uma mente tão ilustre que assustava e surpreendia os outros - dizia que um dos pontos principais dessa relação homem-homem é a vergonha: da vergonha que sentimos frente aos olhos que estão nos olhando e nos julgando: “Não se descobre o próximo observando-o, mas sentindo-se observado por ele. É através desse olhar que o homem pode descobrir como ele é percebido por outra consciência.”

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Aqui está o velho e intrínseco julgamento. Fato é que os outros nos julgam todo o tempo, o tempo todo. Não nos olham, nos observam. Dessa “doce” relação chegamos a mais um componente do homem-homem: o medo.

Temos medo da opinião e do julgamento do outro, mas também tememos o outro porque temos a impressão que jamais poderemos compreendê-lo, como se fosse um “conhecimento inalcançável”. Não podemos entrar dentro do outro para entendê-lo, nem poderemos estar realmente no lugar do outro, seja do amante, do irmão, do amigo. Só temos acesso ao que o outro deseja mostrar. Dizia Maurice Merleu-Ponty: “o outro é uma fortaleza impenetrável”.

O resultado dessa relação homem-homem é a formação da nossa própria personalidade. Temos a necessidade do outro na construção da nossa identidade, principalmente através do reconhecimento desse outro.

Enfim, Sartre nos dá o desfecho para essa coluna: “O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós”.


Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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