shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

“Amores proibidos dóem por serem proibidos, não por serem amores.”


O Brasil está a todo gás, isso é claro como o sol. Mas onde há sol, há lua, e aqui estamos todos a nos perguntar como, em um Estado laico, um Feliciano crente e radical está no setor dos Direitos Humanos. Quem, diabos, deu poder a esse ....esse....espera, estou tentando encontrar uma denominação justa....desisto, não encontrei, pode colocar a sua aqui: ............... .

feliciano.jpg What the fuck are you doing here?

Há 5 anos eu estudo Direitos Humanos em um doutorado multidisciplinar. Esses direitos residem justamente no contrário de um Feliciano - que deveria se chamar Tristeciano, porque só traz tristeza. Tratam de igualdade, de respeito e de um Estado que respeite isso e faça com que todos em seu território respeitem um ao outro, não somente por opção, mas por obrigação.

Direitos_Humanos.jpg Incompreensível esse senhor dos infernos estar em um poder que não lhe pertence. Incompreensível que alguém tenha facilitado essa vaga, comprada, possivelmente. Incompreensível foi, na verdade, a paciência do povo brasileiro, amigão da turma, do mundo, um país paradoxal onde violência e pacificidade andam lado a lado e são vizinhas.

Perseguindo suas fobias, (“fobia é uma dessas formas de sofrimento, na qual alguém fica fixado em algo que lhe produz horror e fascínio”, de acordo com Corso) Feliciano está colocando a ideia do Brasil como Brasil, com identidade cultural variada, onde todas origens do mundo se encontram e se misturam, onde samba é hino e o amor é livre, em crise existencial.

Tantos movimentos populares magníficos clamaram por democracia, por impeachment, por indignação com governos de direita, por mudança da atual mesmice política do malandro, mesmo em governo de esquerda....ou seja, quando o poder passa para a mão daqueles que abraçam, teoricamente, as minorias, tratam elas como doentes mentais.

manifestaçoes.JPG

Colocar em pauta como doença a liberdade de escolha sexual “possibilitaria aos psicólogos religiosos agir em nome de sua formação acadêmica para tratar como doença uma forma de amar (Corso)”. Ou seja, um retrocesso, onde uma santa inquisição da vida decide quem vai para a fogueira ou não.

heaven hell.jpg Se parece que comparar a santa inquisição soa demasiado, basta uma análise dos valores nos momentos históricos, por onde já passaram as bruxas, os hereges e o adultério: “Se antes a fidelidade era o grande tema, pois tratava-se de defender a permanência do casamento tradicional, agora a identidade sexual parece ser o ponto mais frágil do edifício subjetivo. A ambiguidade sexual é hoje um fato em nossas roupas e condutas, mulheres usam calças, homens colocam brincos, todos trabalham nos ofícios que quiserem e ter um filho não condena ninguém à prisão doméstica (Corso)”.

Como diria Nietzsche, parece tudo voltar ao seu princípio, o eterno retorno, de rótulos e absurdos históricos. E eu volto ao início e me despeço com a frase do título, de Diana Corso e Mario Corso:

- “Amores proibidos dóem por serem proibidos, não por serem amores”.


Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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