shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

O homem do leme


“E mais que uma onda, mais que uma maré... Tentaram prendê-lo impor-lhe uma fé... Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade, vai quem já nada teme, vai o homem do leme...”

Dos meus anos de Portugal levo mais que bacalhau e fado. Levo uma visão de mundo diferente. Tenho outros ouvidos, escuto outras coisas, mesmo escutando as mesmas palavras, das mesmas bocas, dentro do mesmo contexto. Escuto o mesmo não da mesma forma.

O homem do leme é uma canção portuguesa, da banda Xutos e Pontapés - que eu compararia com Paralamas do Sucesso. Uma dessas bandas que marcou uma geração, que ressoa no coração quando toca em uma festa e quase todo mundo vai fechar os olhos e senti-la com o coração. E, lá dentro, estarão um sem fim de lembranças.

Essa música é uma das minhas favoritas de todos os tempos. Quiçá por estar vivendo anos longe, surgiu outro significado para a palavra saudade. Saudade que nada tem a ver com paixões melosas e dramas mexicanos de amores que machucaram. Saudade como um impulso para fazer tudo valer a pena, com força, com energia, com consciência do que tenho que deixar de ter e viver para fazer o que estou fazendo e vivendo, seja lá o que for.

Seria como dizer: “Mas, vogando a vontade, rompendo a saudade, vai quem já nada teme, vai o homem do leme”...

homem do leme.jpg Escultura “O homem do leme” de Américo Gomes, situada na cidade do Porto, Portugal Há uma coragem em que se movimenta pelo mundo. Há traços que serão ilegíveis para uma vasta maioria de amigos que me olham como se eu fosse um E.T. desertor. Um que de infinito. Algo que vou deixando pelo caminho e, outro tanto, maior que eu, que vou anexando, vou ganhando, vão me doando. Esse conteúdo impossível de ser lido é o que compõe um viajante: “E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser...e uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder...”

Uma coisa eu aprendi das pessoas que nascem com as raízes viradas para cima, essas que não ficam plantadas em um só lugar: a intensidade que vivem e que se deixam viver. Um espaço onde os outros são só os outros, as opiniões são só as opiniões dos outros, um espaço onde eu vivo, sinto e atuo do fundo do ser. Esse espaço, privado, deixa um que de mistério, um que de filosofia ou um que de mal entendido. É uma constante não ser compreendido, e não se importar com isso. Eu não me importo. A vida é sempre a perder...

Perdemos o tempo que passou e ganhamos experiência, perdemos pessoas, mas ganhamos amor, perdemos o medo e ganhamos paixões. Sempre a perder....

O que eu não perco, de verdade, é tempo em ser, fazer, pensar ou me movimentar dentro do mundo alheio, conforme o desejo alheio, dentro das expectativas dos outros. Ando no meu mundo e o meu mundo é "uma vontade de ir, correr o mundo e partir..."

O que eu não perco, de verdade, é tempo, em ser, fazer, pensar ou me movimentar dentro do mundo alheio, conforme o desejo alheio, dentro das expectativas dos outros. Ando no meu mundo e o meu mundo é uma vontade de ir, correr o mundo e partir...

viajantes.JPG Me depeço com Alphonse Lamartine: “Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar”.


Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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