shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

A tranquilidade e o imenso vazio da ausência da paixão


Sempre fui viciada em paixões. Uma atrás da outra, uma por cima da outra, outras entrelaçadas. O amor sempre me pareceu monótono: Quiçá, por isso, eu preferisse a paixão.

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Estranhamente, às vezes, a paixão me dá um tempo. Tempo necessário para eu não surtar de verdade. Esse lapso temporal é uma esquisitice total. É uma tranquilidade linear e um vazio infinito. Um vácuo.

Imagina escutar uma música romântica e não sentir a pele arrepiar – nem o coração doer. Durante a ausência da paixão, nem sequer escuto a música de fato, ela vai tocando sem me tocar.

Quando percebo a música, quando paro para escutar a letra,dá um branco: não há quem colocar naquela letra melosa.

A paixão é um vício espetacular. A não paixão é um estado zen, umas férias para as lágrimas.

Sem saudade. Sem angústia. Sem transformar algum outro em depósito de expectativas. Sem emoção também. Sem um infinito de coisas, mas, ao mesmo tempo, cheio de coisas espetaculares que só quem não sofre por paixão pode experimentar. Quem já esteve apaixonado ou quem já esteve sem estar apaixonado talvez possa confirmar esses dois extremos extraordinários.

Despeço-me com Rubem Fonseca: "Quanto a mim, o que me mantém vivo é o risco iminente da paixão e seus coadjuvantes, amor, ódio, gozo, misericórdia".


Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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