shine on you crazy diamond...

"Nobody knows where you are, how near or how far..."

Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo.

O desejo humano é o desejo de não desejar


Quem nunca sentiu um imenso vazio...um buraco no estômago, um oco no peito, um desejo de não sei o que, uma vontade insaciável de encontrar com não sei quem. Quem nunca?

Quem nunca sentiu um imenso vazio...um buraco no estômago, um oco no peito, um desejo de não sei o que, uma vontade insaciável de encontrar com não sei quem. Quem nunca?

De onde vem, para onde vai, quando termina essa sensação de vazio?

Pode ser que venha de um amor primeiro, do amor “incondicional” que sentimos pelas figuras paternais, pelo desejo de zelo, de cuidado, da satisfação da fome, da sede e de ser protegido. Vem da idealização que fazemos dessas pessoas que colocamos no nosso coração como sagrados, como figuras máximas, como expoentes de tudo.

Para onde vai todo esse amor depois que passa a infância, depois que encontramos outras pessoas que desejamos, nesse momento que buscamos freneticamente sermos amados incondicionalmente pela nossa “alma gêmea”? Todo esse sentimento louco vai para algum outro, que será só um outro e que, logicamente, não vai poder repetir a nossa sensação infantil do infinito amor paternal.

Como consequencia dessa busca de preencher o vazio, vamos tentar encontrar um substituto para o insubstituível, vamos buscar tragicamente preencher o oceano com a água de um rio.

eros e psique o beijo impossivel.jpg O beijo impossível de Eros e Psique (de Antonio Canova, hoje no museu do Louvre).

O desejo cria, de certa forma, uma condição para a frustração. Como nunca achamos esse objeto perdido, esse amor infinito infantil, em maior ou menor medida , um pouco mais um pouco menos, percebemos, meio sem querer, sem compreendermos, sem nos dar conta, que esses objetos substitutos, essas pessoas substitutas, nunca preenchem, de fato, esse vazio. É uma busca por um amor romântico eterno, mas o “forever”, teoricamente, não existe.

Seguimos buscando, nos decepcionando, tentando concertar o outro, modelar o outro, o fazer merecedor do nosso amor infantil infinito, ao mesmo tempo que buscamos um doador desse amor que venha nos preencher e de que necessitamos tanto. É uma busca que não tem fim, estaremos sempre procurando. “A nossa alma, a nossa psique, é sempre inquieta”.

Fazemos dessa busca um objetivo, passamos muito tempo das nossas vidas correndo atrás de um objeto perdido. Quem sabe, a forma de aquietar a nossa alma é, de fato, nos conformarmos que esse objeto, essa pessoa, esse amor infinito e incondicional, nunca será encontrado.

Até quando? Provavelmente até o dia em que a gente vai se despedir da vida. “O vazio termina quando terminamos”.


Laís Locatelli

De alma cigana, de curiosidade espontanea...Uma leitora incansável que crê no ser humano: somos bons e maus. Isso é ser completo. .
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